segunda-feira, 5 de junho de 2017

2.7. A LUTA COM A FRENTE VERMELHA

       



Em 1919/20 e também em 1921, assisti pessoalmente a algumas das chamadas assembléias burguesas. A impressão que delas guardei, foi sempre a mesma, que mecausava, na minha juventude, a colher obrigatória de óleo de fígado de bacalhau. Tem que ser engolida, deve fazer muito bem, mas o gosto é detestável! Se fosse possível amarrar com cordas todo o povo alemão, arrastando-o à força para essas manifestações públicas, trancando as portas para não deixar sair um só, até o fim da representação, talvez ao cabo de alguns séculos tudo isso desse algum resultado. Aliás devo confessar abertamente, que se isso acontecesse, eu não teria mais prazer na vida, preferindo até não ser mais nemalemão. Não sendo isso possível - graças a Deus - ninguém se deve admirar de que o povo sadio e não corrompido evitasse as tais assembléias de grandes multidões burguesas, como o diabo foge da água benta.
Cheguei a conhecer, muito bem, esses profetas de uma doutrina burguesa, e, por isso, não me causa a menor surpresa, sendo até compreensível, que eles não atribuam a, mínimasignificação à palavra falada. Naquele tempo, assisti a reuniões de Democratas, de Nacionais-Alemães, do Partido Popular Alemão, e também do Partido Popular da Baviera (Centro Bávaro). O fato que em todas elas chamava logo atenção era a homogeneidade do auditório. Quase sempre, os que tomavam parte em tais manifestações, só eram os membros dos partidos. Sem disciplina alguma, o conjunto se assemelhava mais a um clube de jogadores de cartas, que já está com sono, do que à assembléia de um povo que acabava de passar por sua maior revolução. Para conservar esta atmosfera de paz, os oradores faziamtudo o que estava na medida de suas forças. Falavam, ou melhor, liam discursos que mais pareciam artigos de jornal ou dissertações científicas, evitando toda palavra mais grosseira, aplicando, aqui e ali, algum insulso gracejo professoral que fazia rir, de uma maneira forçada, a digníssima mesa da Diretoria. Se bem que não rissem estrondosamente, já era convidativo esse riso, abafado com distinção e reserva!
E só essa mesa presidencial!!!
Uma vez assisti a uma reunião na Sala Wagner, em Munique. Era uma manifestação por ocasião do aniversário da grande batalha de Leipzig. O discurso foi proferido ou lido por um respeitável senhor de idade, professor em uma universidade qualquer. A diretoria ocupava o estrado; à esquerda, um monóculo, à direita, um monóculo, entre os dois, um sem monóculo, Todos três vestiam sobrecasaca, o que dava a impressão de se estar, ou em um tribunal, que se prepara a uma execução, ou em um batizado festivo; enfim, em umato de solenidade religiosa. O tal discurso, que, escrito, talvez pudesse ter dado uma impressão sofrível produziu um efeito verdadeiramente deplorável. Passados três quartos de hora, já a assembléia cochilava, em uma espécie de estado de transe, interrompido somente pela saída de um ou outro homem ou melhor, pelo barulho de pratos das copeiras e os bocejos de ouvintes, em número sempre crescente. Três operários, que assistiam à reunião, por curiosidade ou sob encomenda, olhavam-se, de quando em vez, com uma careta mal dissimulada, acotovelando-se, por fim, antes de saírem bemdevagarinho. Atrás deles estava eu. Via-se que, de modo algum, queriam incomodar, precaução francamente supérflua emuma tal assembléia. Afinal, parecia esta aproximar-se do termo. Depois de concluída a conferência do professor, cuja voz se fora tornando cada vez mais fraca, ergueu-se o líder da tal sessão, exprimindo, em frases bombásticas, sua gratidão aos irmãos e irmãs alemães ali reunidos e sugerindo a atitude que eles deveriam tomar diante do extraordinário e magnífico discurso do Sr. Professor X., feito com a máxima profundeza e grande conhecimento do assunto, tendo sido verdadeiramente um acontecimento vívido, sim uma ação cristalizada na palavra. Acrescentar ainda uma discussão a essas luminosas dissertações, significaria uma profanação desta hora sagrada. De acordo com todos os presentes, desistia ele, por conseguinte, de continuar a falar, pedindo a todos, porém, que se levantassem, entoando o brado de: Nós somos um povo de irmãos unidos, etc. Para terminar a sessão, foram todos convidados a entoar a canção da Alemanha.
Cantaram, então. A minha impressão era que, já na segunda estrofe, as vozes diminuíam, só se avolumando muito no estribilho: na terceira, a mesma impressão aumentou tanto, que cheguei a duvidar se todos saberiam bem de cor, o que estavam cantando.
No entanto, que coisa empolgante, quando semelhante canção jorra, com todo o fervor, do fundo da alma de um alemão nacionalista!
Depois disso, dispersou-se a reunião, isto é: todos tinham pressa de sair, uns para beberem cerveja, outros para tomarem café, outros ainda para passearem. Era o anseio geral!
Para fora, para o ar livre, para fora! Minha vontade era de fazer o mesmo, E isso deve servir à maior glória de uma luta heróica de centenas e milhares de Prussianos e Alemães?Raios os partam!
Só o governo pode com efeito gostar de tais coisas! Naturalmente, isso é o que se pode chamar uma assembléia pacífica. O Ministro não precisa recear a perturbação da paz e da ordem ou que as ondas do entusiasmo possam fazer transbordar subitamente a medida da conveniência burguesa ou que, levado pelo entusiasmo, o povo se precipite fora da sala, não para o café ou pare a taberna mas sim para marchar, quatro a quatro, pelas ruas da cidade cantando urra à Alemanha e incomodando assim uma polícia, que deseja descansar. Não! Com tais cidadãos, o Estado pode se dar por satisfeito.
Ao contrário destas, as assembléias nacionais-socialistas nada tinham de pacíficas. Aí, as ondas de duas doutrinas quebravam-se de encontro uma à outra, não terminando com cantos patrióticos sem significação e sim cem a irrupção fanática de paixões populares. Desde o princípio, a introdução da disciplina cega e a garantia da autoridade da direção impôs-se nas nossas assembléias como uma condição das mais importantes, pois os nossos discursos não eram comparáveis ao falatório desenxabido de qualquer orador burguês, mas, ao contrario, apropriados, pelo conteúdo e pela forma, a provocar a réplica do adversário.
E quantos e que sorte de adversários havia nas nossas reuniões! Quantas vezes entravaminstigadores na sala, emnúmero' avultado, no meio deles alguns especialmente designados, lendo-se em todos os semblantes a convicção: Hoje acabamos com vocês! Sim, quantas vezes nossos amigos vermelhos compareciam até ali, em colunas cerradas, com a missão bem delineada de dispersar aquilo tudo na mesma noite, à força de pancada, pondo um fimàquela história, E quantas vezes esteve tudo perto disso mesmo! As intenções do adversário foram aniquiladas apenas pela energia férrea de nossos líderes e pelas medidas brutais de nossa polícia defensiva.
E eles tinham toda a razão de se sentir irritados.
Só a cor vermelha dos nossos cartazes fazia com que eles afluíssem às nossas salas de reunião. A burguesia mostrava-se horrorizada por nós termos também recorrido à cor vermelha dos bolchevistas, suspeitando, atrás disso, alguma atitude ambígua. Os espíritos nacionalistas da Alemanha cochichavam uns aos outros a mesma suspeita, de que, no fundo, não éramos senão uma espécie de marxistas, talvez simplesmente mascarados marxistas ou, melhor, socialistas. A diferença entre marxismo e socialismo até hoje ainda não entrou nessas cabeças. Especialmente, quando se descobriu, que, nas nossas assembléias, tínhamos por princípio não usar os termos Senhores e Senhoras mas Companheiros e Companheiras, só considerando entre nós o coleguismo de partido, o fantasma marxista surgiu claramente diante de muitos adversários nossos. Quantas boas gargalhadas demos à custa desses idiotas e poltrões burgueses, nas suas tentativas de decifrarem o enigma da nossa origem, nossas intenções e nossa finalidade!
A cor vermelha de nossos cartazes foi por nós escolhida, após reflexão exata e profunda, com o fito de excitar a Esquerda, de revoltá-la e induzi-la a freqüentar nossas assembléias; isso tudo nem que fosse só para nos permitir entrar em contato e falar com essa gente.
Era delicioso seguir naqueles anos a falta de iniciativa e de recursos dos nossos adversários, pela sua tática eternamente vacilante. Primeiro, incitavam os seus adeptos a não nos darem a menor atenção, evitando as nossas reuniões, conselhos aliás geralmente seguidas.
Como, porém, no decorrer do tempo, alguns apareciam isoladamente, aumentando lentamente, mas cada vez mais, o número, e a impressão deixada pela nossa doutrina era manifesta, os chefes iam ficando nervosos e inquietos, afincando-se na convicção de que esta evolução não deveria continuar a prolongar-se, devendo-se-lhe dar um paradeiro, por um sistema de terror.
Depois disso, houve convites aos Proletários conscientes de sua classe, para assistirem, em massas compactas, às nossas assembléias, a fim de atacar as intrigas monárquicas, reacionárias, entre seus representantes, com os punhos cerrados do Proletariado.
De repente, nossas reuniões começaram a ficar repletas de operários, três quartos dehora antes de começarem. Assemelhavam-se ao barril de pólvora, que podia a cada instante voar pelos ares, e sob o qual já se via arder a mecha, Acontecia, entretanto, sempre o contrário. Esses operários entravam como inimigos e, ao saírem, se já não eram adeptos nossos, pelo menos submetiam sua própria doutrina a um exame refletido e crítico. Pouco a pouco, depois de uma conferencia minha, que durou três horas, adeptos e adversários chegaram a fundir-se em uma só massa cheia de entusiasmo. Toda tentativa para dispersar a nossa assembléia tornou-se debalde. Os chefes adversários começavam francamente a ter medo, voltando-se novamente para os antigos adversários desta tática e que agora apontavam, com uma certa aparência de razão para sua opinião, e que consistia em vedar categoricamente ao operário a frequentação das nossas reuniões.
Nesse ponto, parou ou, pelo menos, diminuiu a freqüência. Ao cabo de pouco tempo, recomeçou, porém, o mesmo jogo.
Não se observava a proibição, os correligionários deles compareciam cada vez mais, triunfando, por fim, os partidários da tática radicalista. Nós estávamos destinados a saltar pelos ares.
Quando, depois de várias reuniões, descobriu-se que uma dispersão, por meio de bombas, era mais fácil em teoria do que na prática, e que o resultado de cada reunião era um esfacelamento das tropas rubras de combate, elevou-se subitamente outro grito: Proletários, companheiros e companheiras! Evitai as Assembléias dos Instigadores Nacionais Socialistas! Na imprensa vermelha encontrava-se a mesma tática, eternamente vacilante, Experimentavam matar-nos pelo silêncio e acabavam convencidos da inutilidade desta tentativa, voltando a tomar medidas contrárias. To. dos os dias, éramos citados emtodas as oportunidades e, quase sempre, com o fim de fazer ver ao operário o ridículo da nossa existência. Passado algum tempo, os tais senhores tiveram que sentir, entretanto, não só a inocuidade como até a utilidade de tal iniciativa. Naturalmente, alguns deles faziam a si próprios a pergunta: Para que perder tantas palavras com uma coisa, que não passa de uma ficção ridícula? A curiosidade popular crescia. Neste ínterim, operou-se uma reviravolta e começamos a ser tratados como verdadeiros malfeitores da humanidade, Choviam artigos sobre artigos, com explanação e provas sempre renovadas a respeito das nossas intenções criminosas, histórias escandalosas, se bem que bordadas à vontade, de começo ao fim. Isso tudo devia servir de complemento ao que precedeu. Todavia, já empouco tempo parecia ter sido tirada a prova da ineficácia desses ataques.
Na realidade tudo isto só servia a contribuir para que a atenção geral se concentrasse sobre nós, ainda mais do que dantes.
Minha atitude naquela época foi a seguinte: ficar indiferente à troça ou ao insulto, a ser apontado como palhaço, bobo ou como criminoso, o que me importava é que fôssemos citados, que a opinião pública se ocupasse conosco e que aos poucos aparecêssemos, diante do operariado, como sendo o único poder, como qual ainda era possível haver discussão. O que realmente somos e tencionamos realizar ainda chegaremos a demonstrar, um belo dia, à corja da imprensa judaica.
Foi devido à covardia, francamente incrível, dos chefes da oposição, que, naquela ocasião, não houve quase um só ataque direto contra as nossas assembléias. Em todos os casos críticos, mandavam na frente alguns toleirões, que o mais que faziam era espreitaremfora das salas o resultado da explosão!
Quase sempre vivíamos bem informados sobre as intenções desses cavalheiros, não só por termos, no meio dos blocos vermelhos, muitos correligionários, para servirem nossas conveniências, como também por causa da tagarelice dos próprios manejadores do partido vermelho. Nesse caso, isso nos foi de grande utilidade, embora não deixe de ser um defeito infelizmente muito disseminado entre o povo alemão. Não podiam eles ficar sossegados, quando tinham uma notícia nova; costumavam, amaior parte das vezes, cacarejar, antes mesmo de pôr o ovo. Quantas e quantas vezes já tínhamos feito os preparativos mais importantes, sem que os comandantes rubros do corpo de bombardeio o suspeitassem, nemde leve.
Esse tempo nos forçou a tomar a peito, por nossa conta, a proteção das nossas assembléias. Com a garantia das autoridades não há quem possa contar; ao contrário, está provado que ela só beneficia os perturbadores da ordem. Em matéria de intervenção de autoridades, pode-se assinalar, como único resultado efetivo, a dissolução e, portanto, o encerramento da assembléia, E não era outra a finalidade nem a intenção dos desordeiros adversários.
De um modo geral, formou-se, na Polícia, um hábito, que representa a maior monstruosidade imaginável em matéria de atentado aos direitos humanos. Quando a autoridade, por meio de qualquer ameaça, é advertida que uma Assembléia corre o perigo de ser atacada, em vez de prender os ameaçadores, proíbe aos outros - aos inocentes - a entrada na sala - medida esta, que ainda por cima, enche de orgulho o espírito comum da nossa Policia. Isto, no seu modo de ver, representa uma medida preventiva para impedir qualquer infração às leis.
O bandido resoluto, por conseguinte, dispõe, a toda hora, das armas necessárias para impossibilitar o indivíduo honesto de tomar parte ou trabalhar em questões políticas, Emnome do sossego e da ordem pública, curva-se a autoridade do governo diante do bandido e pede ao outro que desista de provocá-lo. Quando então os Nacionais-Socialistas queriamfazer reuniões em determinados locais, e as corporações operárias declaravam oposição a tal iniciativa, a Polícia seguramente não poria esses malfeitores detrás do cadeado e doferrolho, limitando-se a proibir a nossa reunião. Sim, esses órgãos da Lei tiveram até o incrível descaramento de nos fazer tal comunicação, inúmeras vezes, por escrito.
A fim de escapar a semelhantes eventualidades, era preciso tomar precauções, para abafar, já no germe, toda tentativa de perturbação. Neste ponto ainda se deveria considerar
o seguinte: todo comício, que não contar com outra garantia se não a da polícia, desmoraliza seus organizadores aos olhos da grande massa do povo. Assembléias cuja realização só é anunciada por um grande cartaz policial, não são convidativas, já que as condições para a conquista das camadas mais baixas de um povo, por si já devem se manifestar como uma força real e bem sensível.
Tal qual um homem corajoso vencerá um covarde na conquista de corações femininos, um levante heróico mais facilmente ganhará a alma popular do que um movimento pusilânime, que só não se extingue devido à proteção policial.
Era sobretudo este último motivo, que obrigava o partido incipiente a cuidar de sua própria defesa e a resistir sozinho ao regime terrorista do adversário.
Eis os fundamentos da proteção às assembléias:
1) Uma direção enérgica e psicologicamente bem compreendida.
2) Uma tropa organizada para manter a ordem.
Quando nós, os Nacionais-Socialistas, promovíamos, naquele tempo, uma reunião, esta era exclusivamente dirigida por nós; direito de chefia esse, que, aliás, sem interrupção e a cada minuto, sublinhávamos explicitamente. Nossos adversários sabiam perfeitamente que qualquer provocador de desordem seria enxotado sem a menor consideração, mesmo que nós só fôssemos doze e eles quinhentos homens. Nas reuniões daquela época, mormente fora de Munique, quinze ou dezesseis dos nossos correligionários se encontravamfreqüentemente com quinhentos, seiscentos, setecentos e oitocentos adversários. Ainda assim, não tolerávamos nenhuma provocação, e os freqüentadores das nossas reuniões sabiam muito bem que nós preferiríamos a morte à rendição. Mais de uma vez também sucedeu, que um punhado de correligionários nossos, saiu vitorioso, lutando contra uma maioria de vermelhos, que berravam e davam pancadas a torto e a direito
Esses quinze a vinte homens seguramente teriam acabado por ser vencidos. Mas os outros sabiam, que, antes disso, um grupo duas ou três vezes maior teria tido ali o crânio partido, e era preferível não correr esse risco.
Tentamos aprender e realmente aproveitamos alguma coisa sobre a técnica das assembléias marxistas e burguesas. Os marxistas tiveram, desde a origem, absoluta disciplina, de modo que nenhum grupo
burguês jamais cogitou de atacar uma das suas reuniões. Em compensação, tais intenções eram sempre alimentadas pelos vermelhos. Aos poucos tinham estes alcançado, nesse terreno, não só uma indiscutível perícia, mas até chegaram ao ponto de apontar toda assembléia anti-marxista, em todo o território do Reich, como uma provocação aoproletariado, sobretudo onde os líderes farejavam, em qualquer comício, a enumeração de seus próprios pecados, destinada a desmascarar a baixeza de seus atos mentirosos e enganadores praticados contra o povo. Mal se ouvia anunciar uma reunião desse gênero, a Imprensa Vermelha, em bloco, começava um berreiro louco. Os desrespeitadores profissionais da Lei, procuravam então, não raramente, as autoridades, com o pedido, tão suplicante quanto ameaçador, de impedir imediatamente tal Provocação ao Proletariado, a fim de evitar conseqüências mais graves. Suas palavras eram acolhidas e o sucesso alcançado, segundo a estupidez do funcionário a quem se dirigiam. Se, por exceção, emtal posto se achasse realmente um funcionário alemão (e não uma criatura funcionalizada) sendo assim recusada a descarada exigência, seguia-se então o conhecido convite a repelir uma tal Provocação. Tratava-se então de marcar para tal dia uma reunião, à qual compareciam em grande número.
Para que se possa fazer uma idéia segura, é preciso ter-se visto uma dessas reuniões, é preciso ter-se passado pelo pavor, que experimentava a direção de uma tal sessão! Mais de uma vez bastariam ameaças dessa ordem para fazer adiar uma dessas reuniões. Às vezes, o medo era tamanho que, em lugar de 8 horas, raramente alguém comparecia à abertura antes de 9 horas ou 9 menos um quarto. O presidente se esforçava então por explicar aos presentes Senhores da Oposição, - e isto por meio de inúmeros cumprimentos - a que ponto ele e todos os presentes se alegravam intimamente (mentira crassa!) com a visita de homens que ainda não partilhavam de suas convicções; pois só a permuta de idéias (o que foi logo de antemão, aprovado, o mais solenemente possível), podia aproximar as convicções, despertar a compreensão recíproca e formar como uma ponte entre eles. Asseverava, ao mesmo tempo, que a assembléia não tinha a mais leve intenção de afastar cada um de suas idéias antigas. Longe de nós tal suposição, diziam eles, cada um queseguisse as suas próprias idéias, consentindo, porém, que os outros fizessem o mesmo! Por isso pedia ele que deixassem o orador prosseguir até o fim, aliás próximo, para evitar de dar ao mundo, com esta reunião, o espetáculo vergonhoso do ódio íntimo entre irmãos da mesma pátria.
É verdade que a irmandade da esquerda não atendia quase nunca a tal apelo; pois, antes mesmo do orador abrir a boca, já era ele alvo das mais loucas descomposturas, tendo que escafeder-se. Não raramente deixava ele a impressão de uma certa gratidão à sorte, que lhe encurtara o processo martirizante, Debaixo de um barulho infernal, é que esses toreros das assembléias burguesas deixavam a arena, se é que não rolavam nas escadas com as cabeças cheias de galos - o que acontecia muito freqüentemente.
Desse modo, a organização dos nossos comícios e, sobretudo, a feição que lhes dávamos, foi uma verdadeira novidade para os marxistas. Entravam plenamente convencidos de que poderiamrepetir o seu eterno jogo:
Hoje devemos acabar com isso! Quantos, ao penetrarem nas nossas sessões, não terão proferido, com arrogância, esta frase para algum colega, para caírem diante da porta da sala, antes de gritarem pela segunda vez! E tudo isso com a rapidez de um raio.
Em primeiro lugar, já a presidência dos nossos comícios era diferente da dos demais. Não se mendigava permissão para fazer conferência, também não se garantia a qualquer um, de antemão, a liberdade de fazer discursos intermináveis. Observávamos que a presidência era inteiramente nossa, que estávamos em nossa casa e que a ousadia de interromper a sessão por intervenções extemporâneas seria, sem piedade, castigada com a expulsão imediata. Se sobrasse tempo e isso nos conviesse, toleraríamos uma discussão, mas só nesse caso.
Só isso provocava espanto.
Em segundo lugar, tínhamos á nossa disposição um serviço bem organizado de defesa. Entre os partidos burgueses, esse serviço de defesa, ou, melhor, serviço de ordem, geralmente era confiado a senhores, que, pela dignidade da sua idade, julgavam possuir algum direito à autoridade e ao respeito. Como as massas populares, incitadas por marxistas, não davam, absolutamente, importância a autoridade, nem a idade, essa tal guarda burguesa era, praticamente, inútil.
Logo no começo de nossa grande atividade nos comícios, propus a organização de uma guarda da sala, como um serviço de ordempara G qual só se deviam recrutar rapazes fortes. Uns eram camaradas que eu conhecia dos tempos do serviço militar; outros eramcorreligionários há pouco angariados e que, desde os primeiros dias, vinham sendo educados na convicção de que o terror só se vence pelo terror e que, neste mundo, o sucesso, até hoje, sempre se decidiu do lado que demonstrou mais coragem e resolução, que
o nosso combate gira em torno de uma idéia formidável, tão grande e elevada que merece plenamente ser resguardada e protegida, mesmo com o sacrifício da última gota de sangue. Estavam convencidos da verdade do seguinte princípio: o ataque constitui a arma mais eficaz da defesa, uma vez que a razão se cala e a violência é chamada a falar. Nossa tropa de serviço de ordem tem que ser precedida da fama de ser uma comunidade de combatentes decididos ao extremo, e não um Clube de Debates.
E que ânsia reinava, entre essa mocidade, por uma tal divisa!
Que decepção e indignação, que nojo e repugnância animava esta geração de batalhadores ante a moleza sem nome dos burgueses!
Aí é que se via, claramente, que a Revolução só vingara, graças à desoladora direção burguesa do nosso povo. Mesmo naquela época, teria sido possível encontrar braços fortes para proteger o povo alemão, Faltaram, apenas, as cabeças para guiarem-no. Com que olhos faiscantes me olhavam os meus rapazes, quando eu lhes expunha a importância da alta missão, assegurando-lhes, cada vez mais, que, neste mundo, toda sabedoria fracassa quando não é protegida pela força, que a doce deusa da Paz só pode caminhar ao lado do deus da Guerra e que toda e qualquer ação pacífica necessita do amparo e do auxílio da força. Essas preleções contribuíram para a compreensão da idéia de defesa pela força, mais eficientemente do que os processos outrora adotados. Isso se yen. ficava não no espírito dos fossilizados funcionários públicos, ao serviço de uma autoridade morta, em um país igualmente morto, mas naqueles que tinham pleno conhecimento do dever, cada um disposto, individualmente, a pagar com a sua vida o tributo exigido pela existência coletiva de seu povo.
Com que entusiasmo se alistavam então esses rapazes!
Tal qual um enxame de vespas, eles caíam em cima de quem ousasse perturbar nossos comícios, sem ter em consideração o fato de os adversários estarem em maioria, sem temer ferimentos nem sacrifícios de sangue, somente animados do grande ideal, que consistia emabrir caminho à santa missão do nosso movimento.
Já no meio do verão de 1920, o Serviço de ordem foi, aos poucos, tomando uma feição definida, até organizar-se, na primavera de 1921, em grupos de cem, que, por sua vez, ainda se subdividiram.
Tudo isso era de uma necessidade premente, pois, nesse ínterim, a atividade nas reuniões aumentava cada vez mais. Ainda nos reuníamos por vezes, na sala de festas do Münchener Hofbräuhaus, mais freqüentemente, porém, em salas mais espaçosas. A sala de festas do Bürgerbräu e do Münchener Kindl-Keller foram o teatro, em 1920 e 1921, da realização de assembléias populares cada vez mais formidáveis. O quadro, porém, era sempre o mesmo. Manifestações do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, já, naquela época, tinham de ser interditas pela Polícia, a maior parte das vezes devido à aglomeração antes do início das reuniões.
A organização do nosso serviço de ordemveio esclarecer uma questão importantíssima. Até então o movimento não possuía, nem insígnias nem estandarte próprios do Partido. A falta de semelhantes emblemas não só apresentava desvantagens no momento, como se tornava indefensável no futuro. As desvantagens consistiam, no presente, na falta de um símbolo para exprimir a solidariedade dos correligionários e, de futuro, não seria possível dispensar um sinal distintivo do movimento que pudesse servir de oposição à Internacional.
Já na minha juventude, tinha tido, muitas vezes, a ocasião de sentir e compreender a significação psicológica de símbolos dessa ordem. Depois da Guerra, presenciei uma grande manifestação dos marxistas diante do Palácio Real, no Lustgarten. Uma imensidade de bandeiras, de faixas e de flores vermelhas davam a essa manifestação, na qual tomavamparte, aproximadamente, cento e vinte mil pessoas, uma aparência formidável. Pude sentir com que facilidade o homem do povo é empolgado pela magia sugestiva de um tal espetáculo.
A burguesia, que, como partido político, não representa nenhumponto de vista geral, por isso mesmo, não possuía bandeira própria. Compunha-se de patriotas e usava as cores do Reich. Se essas fossem, realmente, o símbolo de uma determinada doutrina, compreender-se-ia que os proprietários do Estado enxergassem, também, na bandeira deste, a representação de seus pontos de vista, uma vez que o símbolo das suas idéias já se tinha tornado bandeira do Estado e do Reich, graças à sua própria atividade.
Entretanto, as coisas não se passavam desse modo. O Reich se tinha formado sem a contribuição da burguesia alemã. A própria bandeira tinha sido criada no campo da guerra. Não passava, porém, de uma bandeira do Estado, sem a menor significação no sentido de uma finalidade universal.
Só na Áustria alemã é que existia, até então, qualquer coisa parecida com uma bandeira burguesa de partido. Uma parte da burguesia nacional daquele país, escolhendo as cores de 1848, preto, vermelho e ouro, para representar sua bandeira de partido, havia criado um símbolo que, apesar de não ter significação mundial, trazia os característicos políticos do Estado, embora revolucionário. Os inimigos mais acerbos dessa bandeira preta, vermelha e ouro eram, naquele tempo - não esqueçamos isso hoje - os Sociais-Democratas e os Sociais-Cristãos. Eram eles, justamente, que insultavam, então, e emporcalhavam essas cores, tal qual mais tarde, em 1918, fizeram com o pavilhão preto, branco e vermelho. É verdade que o preto, o vermelho e o ouro dos partidos alemães da velha Áustria representavam a cor do ano de 1848, portanto, de uma época que pode ter sido de fantasias, que, porém, contava, entre os seus representantes, com os alemães mais honestos, apesar de, por trás dos mesmos, existir invisível o dedo do judeu. Por essa razão, a traição da pátria e a vergonhosa venda do povo alemão e de suas riquezas tornaram logo essas bandeiras tão simpáticas ao marxismo e ao Centro, que estes partidos, hoje, veneram esses símbolos como a sua maior relíquia, adotando estandartes próprios para proteger a bandeira sobre a qual, outrora, haviam cuspido.
É assim que, até o ano de 1920. o marxismo não contava com nenhuma bandeira adversária que oferecesse um contraste em matéria doutrinária. Mesmo que a burguesia alemã, pelos seus melhores partidos, não quisesse mais condescender, depois do ano de 1918, em adotar, como seu próprio símbolo, a bandeira do Reich, preta. vermelha e ouro, não tinha, também, um programa a apresentar futuramente, nessa nova evolução e nem a idéia de reconstrução do antigo Reich.
É a essa idéia que a bandeira preta, branca e vermelha, do antigo Reich, deve a sua ressurreição como emblema de nossos chamados partidos nacionais-burgueses. É evidente que o símbolo de uma crise que podia ser vencida pelo marxismo, emcircunstâncias pouco honrosas, pouco se presta a servir de emblema sob o qual esse mesmo marxismo tem que ser novamente aniquilado. Por mais santas e caras que possam ser essas antigas e belíssimas cores aos olhos de todo alemão bem intencionado, que tenha combatido na Guerra e assistido ao sacrifício de tantos compatriotas, debaixo dessas cores, não pode essa bandeira simbolizar uma luta no futuro.
Ao contrário dos políticos burgueses, sempre defendi, no nosso movimento, a opinião de que, para a nação alemã, foi uma felicidade ter perdido sua antiga bandeira. Não precisamos investigar o que a República temfeito debaixo da sua. De todo coração, deveríamos, porém, ser gratos ao destino misericordioso que preservou a mais heróica bandeira de guerra de todos os tempos de servir de lençol nos antros da prostituição.
O Reich atual, que vende seus cidadãos e a si próprio, nunca deveria arvorar a bandeira preta, branca e vermelha, coberta de honras e de heroísmo. Enquanto durar a vergonha de novembro poderá a República continuar a usar suas insígnias próprias sem roubar a bandeira de um passado honesto. Nossos políticos burgueses deveriam ter consciência de que o uso da bandeira preta, branca e vermelha, por esse Estado, eqüivale a um roubo ao passado. O antigo pavilhão, francamente, só se adaptava ao antigo Reich. Graças a Deus, a República, também, escolheu um de acordo com as suas idéias.
Eis a razão por que nós, nacionais-socialistas, não teríamos podido enxergar, na antiga bandeira, um símbolo expressivo de nossa própria atividade. Nossa intenção não é ressuscitar o velho Reich, que pereceu por seus próprios erros, mas, sim, construir um novo Estado.
A questão do novo pavilhão, isto é, o seu aspecto, ocupava muito a nossa atenção, naquele tempo. De todos os lados recebíamos sugestões muito bem intencionadas, mas semsucesso. A nova bandeira tinha que representar o símbolo da nossa própria luta, e, ao mesmo tempo, deveria produzir um efeito majestoso sobre as massas. Quem tiver o hábito de lidar com a massa popular verá, facilmente, nessas bagatelas aparentes, questões degrande importância. Um emblema que produza grande efeito pode, em milhares de casos, dar o primeiro impulso ao interesse popular por um movimento qualquer.
Eis porque tivemos de recusar todas as propostas, aliás bastante numerosas, para identificar, por uma bandeira branca, o nosso movimento com o antigo Estado ou, melhor ainda, com aqueles partidos enfraquecidos. cujo único fim político consistia na restauração de situações passadas. Acresce ainda que o branco não é uma cor arrebatadora; ela é apropriada a congregações de virgens castas e puras, e não a movimentos violentos de uma época revolucionária.
O preto foi igualmente proposto. Seria próprio para a época atual, não exprimia, porém, as aspirações do nosso movimento. Além disso, o efeito dessa cor não é empolgante.
Branco-azul não foi aceito, apesar do maravilhoso efeito estético, por ser a cor de um Estado da Alemanha, infelizmente de uma atitude política que não goza da melhor fama, por sua estreiteza regionalista. Aliás, nessa escolha, não haveria nada que correspondesse ao nosso movimento. Preto e branco estava no mesmo caso. Preto, vermelho e ouro, por si mesmo, não entrou em questão, por motivos já mencionados. Preto, branco e vermelho, pelo menos na mesma disposição antiga, também não foi discutido. Quanto ao efeito, esta última composição de cores leva a palma sobre todas as outras, realizando a mais brilhante harmonia.
Eu mesmo fui sempre um advogado da conservação das cores antigas, não só por venerá-las como uma relíquia, na minha qualidade de soldado, como, também, pelo efeito estético que elas exercem e que é mais conforme ao meu gosto.
Apesar disso, fui obrigado a recusar, sem exceção, os inúmeros esboços que saíam,naquele tempo, dos círculos do movimento incipiente, e que, na maior parte, tinhamintroduzido a cruz suástica na antiga bandeira. Como líder, eu mesmo não queria aparecer logo em público com o meu próprio projeto, porque era possível que alguém tivesse a idéia de outro igual, ou mesmo melhor, do que o meu. Com efeito, um dentista de Starnberg produziu um desenho bem regular e muito parecido com o meu, com um único defeito de trazer a cruz suástica com ganchos curvos sobre um disco branco.
Nesse ínterim, depois de inúmeras tentativas, eu havia chegado a uma forma definitiva; uma bandeira de fundo vermelho com um disco branco, em cujo meio figurava uma cruz suástica preta. Após longas experiências, descobri, também, uma relação determinada entre a dimensão da bandeira e a do disco branco, como entre a forma e o tamanho da cruz suástica, e aí fizemos ponto final.
No mesmo sentido, fez-se logo encomenda de braçais para os encarregados do serviço de ordem, sendo o braçal vermelho, com um disco branco, trazendo no centro a cruz suástica preta.
O emblema do partido foi esboçado segundo as mesmas diretrizes: um disco branco sobre fundo vermelho e no centro a cruz. Um ourives de Munique, por nome Füss, forneceu
o primeiro esboço suscetível de ser empregado e adotado.
Em pleno verão de 1920, o novo pavilhão apareceu, pela primeira vez, em público. Adaptava-se, admiravelmente, ao nosso movimento incipiente. Partido e bandeira distinguiam-se pela novidade. Nunca tinham sido vistos antes. Seu efeito, naquele momento, foi o de uma tocha incendiada. A nossa alegria foi quase infantil quando uma fiel adepta de nosso partido executou o plano pela primeira vez e no-lo entregou. Já poucos meses depois, possuíamos meia dúzia em Munique. As tropas do serviço de ordem, cada vez mais, extensas, contribuíram, extraordinariamente, para a propagação do novo símbolo do movimento.
Era um símbolo de verdade! Por serem intérpretes da nossa veneração pelo passado, estas cores ardentemente amadas, que, outrora, alcançaram tanta glória para o povo alemão, eram, agora, ainda a melhor materialização das aspirações do movimento. Como nacionais-socialistas, costumamos ver na nossa bandeira o nosso programa. No vermelho, vemos a idéia socialista do movimento, no branco, a idéia nacional, na cruz suástica a missão da luta pela vitória do homem ariano, simultaneamente com a vitória da nossa missão renovadora que foi e será eternamente anti-semítica.
Dois anos mais tarde, quando as tropas de ordem já se tinham transformado, há muito tempo, em um batalhão de assalto de muitos milhares de homens, surgiu a necessidade de dar a essa organização de defesa da nova doutrina ainda um símbolo especial de triunfo: Os estandartes! Esses, também, foram esboçados por mim e a execução foi confiada a um fiel adepto do partido, o ourives Guhr. Desde aquele momento, os estandartes passaram a ser os sinais característicos da campanha nacional-socialista.
A atividade nos comícios populares, que crescia, cada vez mais, durante o ano de 1920, levou-nos, por fim, a marcar duas reuniões por semana, As multidões se aglomeravam diante dos nossos cartazes, as salas mais espaçosas da cidade estavam sempre repletas e dezenas de milhares de adeptos, desviados pelos marxistas, voltaram à sua antiga comunidade, para lutar pela liberdade de um Reich futuro. Já estávamos conhecidos pelo público de Munique. Falava-se em nosso nome, e a expressão Nacional-Socialista já era familiar a muitos, significando até mesmo um programa, o número dos adeptos do movimento começou a crescer sem interrupção, de modo que, no inverno de 1920/21, já podíamos aparecer em Munique com um forte partido.
Naquele tempo, não havia, fora dos partidos marxistas, nenhum outro, pelo menos de caráter nacional, que pudesse registrar tão grandes manifestações populares.
O Münchener Kindl-Keller, que podia comportar cinco mil pessoas, ficou, mais uma vez, à cunha, e só havia um local que não tínhamos ousado ocupar, Esse era o circo Krone.
No fim de janeiro de 1921, surgiram, novamente, grandes preocupações para a Alemanha. O tratado de Paris, pelo qual a Alemanha se obrigava ao pagamento da somaabsurda de cem bilhões de marcos ouro, devia se tornar uma realidade sob a forma do pacto de Londres.
Uma associação de trabalhistas, que existia há muito tempo em Munique e era formada por ligas populares, queria aproveitar esse pretexto para lançar o convite para um grande protesto coletivo, o tempo urgia e, eu mesmo, me sentia nervoso diante das eternas hesitações quanto às resoluções tomadas. Falou-se, primeiro, em uma manifestação de protesto diante da Feldherrnhaller.
Isso, também, fracassou, surgindo, então, a proposta para uma reunião geral no Münchener-Kindl-Keilcr. Nesse ínterim, passava o tempo. Os grandes partidos não tinhamdado a menor atenção ao terrível acontecimento e a associação trabalhista não se podia decidir a fixar uma data certa para a tal manifestação.
Na terça-feira, 1.° de fevereiro de 1921, exigi, com a maior urgência, uma resolução definitiva. Fizeram-me esperar até quarta-feira, Nesse dia, pedi informações seguras quanto à possibilidade da tal reunião, A resposta foi novamente incerta e evasiva, Disseram que tinham a intenção de convidar a associação trabalhista a realizar uma manifestação daí a oito dias.
Com isso esgotou-se a minha paciência e tomei a iniciativa de executar, sozinho, uma manifestação de protesto. Quarta-feira, ao meio-dia, em dez minutos, ditei a uma datilógrafa o anúncio da reunião, mandando, ao mesmo tempo, alugar o circo Krone, para o dia seguinte, quinta-feira, 3 de fevereiro.
Naquela época, isso significava uma ousadia extraordinária, Não era só a incerteza de poder encontrar auditório para encher aquele enorme espaço; havia, também, o perigo de um ataque, durante a sessão.
Nossas tropas de ordem não eram suficientes para vigiar um espaço tão grande. Eu também não tinha uma idéia definida sobre a atitude a tomar na eventualidade de Umataque, Acresce que eu achava a defesa mais difícil em um circo do que em uma sala comum. Devia ser justamente o contrário, como ficou provado mais tarde. Em uma área gigantesca, era mais fácil dominar um batalhão de assalto do que em salas apertadas.
Só havia, de certo, uma coisa: todo fracasso poderia nos atrasar por muito tempo. Umassalto, coroado de sucesso, poderia destruir, de um golpe, a nossa fama e encorajar o adversário a recomeçar o mesmo jogo.
Isso poderia ocasionar uma sabotagem de toda a nossa atividade nos comícios futuros. E semelhante desastre só poderia ser reparado depois de muitos meses e após grandes lutas.
Só dispúnhamos de um dia para pregar cartazes. Infelizmente chovia de manhã e tínhamos o justo receio de que muitos prefeririam ficar em casa a irem a uma reunião debaixo de chuva ou de neve, expondo-se, talvez, até a serem assassinados.
A verdade é que, na manhã de quinta-feira, apoderou-se de mim o pavor de que não conseguiria encher a casa. Imediatamente ditei e mandei imprimir alguns boletins para serem distribuídos à tarde. Se meu receio serealizasse eu passaria uma grande vergonha, diante da associação trabalhista, os folhetos naturalmente encerravam o convite para a reunião.
Dois caminhões, que eu mandei fretar, foram cobertos com o maior número possível de panos vermelhos, arvorando algumas bandeiras nossas. Quinze a vinte adeptos do nosso partido partiram nos mesmos, com a ordem expressa de passar por todas as ruas da cidade jogando boletins, enfim, fazendo propaganda para a colossal manifestação da noite, Era a primeira vez que caminhões embandeirados passavam pela cidade sem serem guiados por marxistas. Eis porque a burguesia via, boquiaberta, a passagem dos carros enfeitados de vermelho e de bandeiras nazistas que voavamao vento, enquanto, nos bairros afastados do centro da cidade, levantavam-se, também, inúmeros punhos cerrados que exprimiam uma fúria visível contra a última provocação ao proletariado, Até então só o marxismo possuía
o monopólio de organizar reuniões e de andar para cima e para baixo em caminhões.
As 7 horas da noite, o circo ainda não estava repleto. De dez em dez minutos, chamavam-me ao telefone. Sentia-me bastante inquieto, pois às sete horas ou às sete e umquarto, as outras salas já estavam quase completamente cheias. A razão, aliás, não tardou a ser descoberta: eu não tinha contado comas dimensões gigantescas do novo local. Mil pessoas na sala do Hotbräuhaus já faziam um bonito efeito, enquanto passavaminteiramente despercebidas no circo Krone. Quase não se via ninguém. Pouco depois começaram a vir comunicações mais favoráveis e, às oito horas menos um quarto, diziam-me que três quartos do circo já estavam ocupados, havendo grande multidão diante dos guichês da entrada. Com essa noticia eu me pus a caminho.
Cheguei ao circo às oito horas e dois minutos. Via-se, ainda uma grande multidão diante do mesmo; alguns pareciam meros curiosos, outros, adversários, que esperavam fora o desenrolar dos acontecimentos.
Quando penetrei na formidável área deixei-me empolgar pela mesma alegria que havia experimentado no ano precedente, quando da primeira reunião na sala de festas da Bräuhaus, de Munique, Mas somente depois de eu ter, a muito custo, conseguido passar através de verdadeiras muralhas humanas, até chegar ao estrado um pouco elevado, e que o sucesso, em toda a sua plenitude, se manifestou aos meus olhos. Esse local se estendia diante de mim como uma concha enorme, repleta de milhares e milhares de pessoas.
Até o picadeiro estava repleto. Naentrada, tinham sido distribuídos cinco mil e seiscentos cartões; sem se contar o número total dos sem trabalho, dos estudantes pobres e dos nossos homens do serviço de ordem, deviam ser ao todo seis mil e quinhentas pessoas.
Marchamos para um futuro de prosperidade ou para a derrocada? Era esse o tema da minha conferência e meu coração exultava na convicção de que o futuro estava ali diante dos meus olhos. Comecei a falar e falei cerca de duas horas e meia. Depois da primeira meia hora, já eu pressentia que a reunião teria um grande sucesso. Estava estabelecida a ligação com todos esses milhares de indivíduos. Já no fim da primeira hora, comecei a ser interrompido por aplausos que explodiam cada vez mais, espontaneamente, para decrescer novamente, depois de duas horas, passando a um silêncio solene que eu devia, mais de uma vez, mais tarde, constatar nesse lugar, e de que cada um de nós guarda uma lembrança imperecível. Quase que não se ouvia outra coisa senão a respiração dessa multidão colossal e, só depois que proferi a última palavra, é que se levantou, subitamente, um bramido que somente cessou com o cântico patriótico Alemanha, entoado com o máximo ardor. Eu observava como, aos poucos, a enorme área começava a se esvaziar e uma monstruosa onda de gente procurava a saída pela grande porta do centro. Isso durou quase vinte minutos. Só então, possuído do mais vivo contentamento, deixei o meu lugar, a fim de voltar para casa.
Tiraram-se fotografias dessa primeira reunião no circo Krone, de Munique. Melhor do que palavras, servirão elas para provar a importância da manifestação. Jornais burgueses trouxeram ilustrações e notícias mencionando, porém, unicamente, o caráter nacional da manifestação, silenciando, porém, como sempre, sobre o nome dos organizadores.
Com essa demonstração, saímos, pela primeira vez, do quadro dos partidos existentes. Não podíamos mais passar despercebidos. Para impedir a todo o preço a impressão de que esse sucesso pudesse ser visto como efêmero, marquei, imediatamente, para a semana vindoura, a segunda manifestação no circo, e o sucesso foi idêntico.
Novamente, o imenso espaço se achava à cunha, a tal ponto que decidi organizar, pela terceira vez, outra reunião do mesmo gênero, na semana seguinte e, pela terceira vez, o circo gigantesco ficou apinhado de gente.
Após esse confortador início do ano de 1921, desenvolvi ainda mais nossa atividade na organização de comícios, em Munique. Chegamos a realizar não um, mas, às vezes, dois comícios por semana. No meio do verão e no fim do outono, realizávamos até três por semana. Nós nos reuníamos sempre no circo e, para nossa grande satisfação, constatávamos todas as noites o mesmo brilhante sucesso de sempre.
O resultado foi então um acréscimo ininterrupto do número de adeptos do movimento.
Era natural que esses sucessos inquietassem os nossos adversários. Uma vez que estes, sempre vacilantes na sua tática, ora aconselhavam o terror, ora um silêncio absoluto, tornavam-se incapazes de impedir o progresso do nosso movimento de um modo ou de outro, como eles próprios eram obrigados a reconhecer. Foi assim que, em um esforço supremo, resolveram-se a um ato terrorista, a fim de sufocar, definitivamente, a nossa atividade nos comícios. Como pretexto a tal atitude aproveitaram-se de um atentado extremamente misterioso contra um deputado da Dieta, por nome Erhard Auer. Constava que, certa noite, ele tinha recebido um tiro, sem se saber de quem. A verdade é que ele não foi atingido. Houve, porém, ao que se dizia, a intenção. Tudo não passou de boatos. Afantástica presença de espírito, assim como a coragem proverbial do chefe do partido social-democrata, teria não só anulado o ataque criminoso como, também, induzido a fugir, vergonhosamente, os miseráveis autores. Tinham fugido tão depressa e para tão longe, que, mesmo mais tarde, a polícia não pôde mais descobrir o menor rastro deles. Esse processo misterioso serviu ao órgão do partido social democrata de Munique como instrumento de intriga contra o nosso movimento. Medidas tinham sido tomadas para evitar os nossos impressionantes progressos. Nesse programa, estava prevista uma oportuna intervenção de parte do proletariado, por meio da violência.
E o dia da intervenção não se fez esperar.
Foi escolhido um comício, na sala de festas do Hotbräuhaus, de Munique, na qual eu mesmo devia falar, para se decidir, definitivamente, a questão.
No dia 4 de novembro de 1921, recebi, entre 6 e 7 horas da noite, as primeiras notícias positivas sobre o próximo ataque ao comício e soube que se tinha a intenção de mandar para o local grandes grupos de operários recrutados para esse fim, especialmente em alguns meios rubros.
A um feliz acaso devemos o não termos recebido antes disso esse aviso. Nesse dia mesmo, tínhamos deixado nosso velho e respeitável escritório da Sterneckergasse, emMunique, mudando-nos para um novo, isto é, tínhamos saído do velho, mas não podíamos ainda entrar no novo, pois esse estava em obras. Como o telefone da antiga sede tinha sido retirado e ainda não estava colocado na segunda, foram inúteis os esforços de numerosas comunicações telefônicas, avisando-nos sobre o ataque planejado.
A conseqüência disso tudo foi ficar o serviço de defesa do comício reduzido a algumas patrulhas muito fracas. Achava-se presente só uma companhia numericamente fraca, de, mais ou menos, quarenta e seis pessoas. O serviço de patrulhamento ainda não estava bastante organizado para que se pudesse mandar vir, à noite, dentro de uma hora, um reforço suficiente. Acrescia ainda que boatos alarmantes desse gênero, já nos tinhamchegado aos ouvidos inúmeras vezes, sem que nada de extraordinário tivesse acontecido. O velho ditado, segundo o qual, revoluções preditas, geralmente não arrebentam, até então tinha sido confirmado pelos fatos.
Eis por que não se tomaram todas as precauções necessárias para enfrentar um possível ataque, pela maneira mais violenta. Considerávamos a sala de festas do Hofbräuhaus, de Munique, como totalmente imprópria para ser atacada. Tínhamos receado isso muito mais nas grandes salas, sobretudo no circo. A esse respeito, esse dia nos trouxe uma preciosa lição. Mais tarde estudamos todas essas questões, posso dizer, com método científico, chegando a resultados tão surpreendentes quanto interessantes e que se tornaram, nos tempos que se seguiram, de uma importância fundamental para a direção organizadora e a tática de nossos pelotões de assalto. Quando, às 8 menos um quarto, penetrei na entrada do Hofbräuhaus, não podia, com efeito, subsistir a menor dúvida sobre tal intenção. A sala estava repleta e, por isso, interdita pela polícia. Os adversários, que tinham chegado muito cedo, achavam-se na sala e a maior parte dos nossos adeptos encontravam-se fora do recinto. A pequena tropa de assalto me esperava na entrada. Mandei fechar as portas da grande sala, dei ordens para que entrassem os quarenta e tantos homens. Expus aos rapazes que havia chegado a hora de provarem, pela primeira vez, a sua fidelidade inquebrantável ao movimento. Nenhum de nós tinha o direito de deixar a sala senão depois de morto. Eu ficaria, pessoalmente, na sala e não supunha que um só deles ousasse me abandonar. Se, porém, chegasse a avistar algum que se mostrasse, pessoalmente, covarde, arrancar-lhe-ia o braçal e a insígnia. Depois disso, incitei-os a irem para frente, logo que notassem qualquer tentativa de assalto, sem esquecerem que o melhor meio de defesa é o ataque.
A resposta foi um viva, repetido três vezes, e que, nessa ocasião, soou mais alto do que de costume. Depois disso, entrei na sala, podendo, então, com os meus próprios olhos, colher uma vista panorâmica da situação. Os inimigos ali estavam, em massas compactas, procurando furar-me com os olhares. Inúmeras caras se voltavam para mim, mal contendo seu ódio, enquanto outras, com caretas sarcásticas, faziam exclamações insofismáveis. Hoje eles acabariam conosco, nós devíamos defender nossas tripas, nossas bocas seriam definitivamente arrolhadas, enfim uma série de belas locuções desse jaez. Estavamconscientes de sua superioridade e manifestavam-se de acordo com a atmosfera do momento.
Apesar de tudo, a sessão pôde ser abei-ta e tomei a palavra. Na sala de festas do Hofbräuhaus eu tomava lugar sempre em um dos lados, em uma mesa de cerveja. Assimficava, realmente, no meio do público. Talvez essa circunstância contribuísse para criar, nessa sala, um ambiente como nunca encontrei em nenhum outro lugar.
Na minha frente, sobretudo mais para a esquerda, só havia adversários, sentados e de pé. Eram todos homens e rapazes robustos, em grande parte trabalhadores da fábrica Maffei, de Kusterman, Isasrizäher, etc. Ao longo da parede esquerda da sala, já tinham empurrado as mesas até bem perto da minha e começavama recolher os quartilhos. Encomendavam sempre mais cerveja, colocando os recipientes vazios debaixo da mesa. Assim se formavamverdadeiras baterias. Teria sido um milagre se as coisas, dessa vez, acabassem em pai. Depois de hora e meia, mais ou menos, - período durante o qual consegui falar, apesar de todos os apartes - parecia que eu chegaria a dominar a situação. O mesmo receio parecia terem os chefes do pelotão de ataque. Sua inquietação aumentava. De vez em quando saiame entravam novamente, falando, visivelmente nervosos, com o seu pessoal.
Um pequeno erro psicológico que cometi, respondendo à um aparte e de cuja inoportunidade tive imediatamente consciência, mal acabava de proferir a palavra, foi o sinal para o começo do conflito.
Depois de alguns apartes enfurecidos, um homem saltou em cima de uma cadeira, berrando para o público: Liberdade! Os pioneiros da liberdade só esperavam esse sinal para entrar na luta.
Em poucos segundos a sala inteira se achava repleta de uma multidão que berrava e gritava e, por cima da qual, como obuses, voavam inúmeros copos; ouviam-se o rachar de pernas de cadeiras, o quebrar de quartilhos, gritos e berros de toda espécie.
Era um espetáculo simplesmente ridículo. Fiquei parado no meu lugar, podendo observar com que consciência meus rapazes cumpriam o seu dever, Eu desejava ver comose portariam os burgueses em uma tal situação.
A dança ainda não tinha começado e já minha patrulha de assalto - nome que se guardou desde esse dia - iniciava seu ataque. Como lobos, precipitavam-se, em matilhas de oito ou dez, sobre os seus adversários, conseguindo, aos poucos, porem-nos fora da sala. Ao cabo de cinco minutos, quase todos eles estavam sujos de sangue. Quantos eu conheci somente a partir daquele momento! A frente de todos estavam o bravo Maurice. meu atual secretário particular, Hesse e muitos outros que, apesar de gravemente feridos, voltavamsempre ao ataque, enquanto se podiam manter de pé. O barulho infernal durou vinte minutos, no fim dos quais, os adversários, que podiam ser setecentos ou oitocentos, já tinham sido expulsos da sala e jogados de escada abaixo, pelos meus homens, que não erammais de cinqüenta.
Só no lado esquerdo do fundo da sala ainda permanecia um grande grupo, que opunha a mais encarniçada resistência. Subitamente, da entrada da sala, deram dois tiros de pistola sobre o estrado. seguidos de um tiroteio desenfreado. Exultávamos diante de uma tal ressurreição de antiga cena guerreira.
Não havia mais meio de distinguir quem atirava. Só uma coisa se podia verificar, é que a fúria dos meus rapazes, cobertos de sangue, tinha aumentado e que, afinal, os últimos desordeiros, vencidos, eram jogados fora da sala.
Tinham decorrido, mais ou menos, vinte e cinco minutos. O aspecto da sala era como se uma granada aí tivesse estourado.
Muitos dos meus adeptos estavam sendo submetidos a curativos, outros tinham que ser transportados, mas nós tínhamos ficado senhores da situação.
Hermann Esser, que, nessa noite, havia assumido a chefia da sessão, declarou: A sessão continua. Tem a palavra o orador. E eu recomecei a falar.
Depois que, nós mesmos, já tínhamos encerrado a sessão, entrou de repente um agitado tenente de polícia gritando, com movimentos descontrolados: A reunião está suspensa!
Involuntariamente, tive que rir desse retardatário. Nos policiais, essa mania de importância é típica. Quanto menores eles são, mais querem aparentar autoridade.
Nessa noite, tínhamos realmente aprendido muito e nossos adversários, também, não esqueceram a lição recebida. Até o outono de 1923, o Münchener Post não nos amedrontou mais com as ameaças de violência por parte do proletariado.

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