sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A GUERRA MUNDIAL

       


CAPÍTULO V - A GUERRA MUNDIAL



Quando ainda jovem, na fase em que tudo nos sorri, nada me fazia tão triste, como o ter nascido justamente em uma época em que todas as honras e glórias eram reservadas a negociantes ou a funcionários do governo.
As ondas dos acontecimentos históricos aparentemente tinham arrefecido e, de tal maneira, que o futuro, na realidade parecia pertencer à concorrência pacifica dos povos, isto é, a uma calma e recíproca ladroagem, pela eliminação dos métodos violentos da reação das vítimas. Os diferentes países começavam a se assemelhar, cada vez mais, a empresas que se solapassem reciprocamente o chão debaixo dos pés, na conquista semtrégua de fregueses e de encomendas, procurando cada um sobrepujar as outras, por todos os meios ao seu alcance. Tudo isso era posto em execução com uma espetaculosidade tão grande quanto ingênua. Essa evolução parecia não só permanente, como destinada tambéma, algum dia (com a aprovação geral), transformar o mundo inteiro em uma única e grande casa de negócios, em cujas ante-salas seriam expostos, para a posteridade, os bustos dos mais atilados especuladores e dos mais ingênuos funcionários da administração. Os comerciantes poderiam ser, então representados pela Inglaterra; os funcionários administrativos seriam os alemães; os judeus, porém, fariam o sacrifício de ser os proprietários, pois que, como eles próprios confessam, nunca lucram, sempre têm depagar e, além disso, falam a maioria das línguas.
Ah! se me tivesse sido possível ter nascido cem anos antes! Mais ou menos no tempo das guerras da Independência, quando o homem, mesmo sem negócios, ainda valia algumacoisa!
Muitas vezes me ocorriam pensamentos desagradáveis, relativos à minha peregrinação terrena, demasiado tardia na minha opinião, e a época de calma e ordem que se medeparava eu considerava uma infâmia imerecida do destino. É que já, nos meus mais tenros anos, eu não era pacifista. Todas as tentativas de educação nesse sentido tinham resultado inúteis.
A guerra dos Boers, então desencadeada, teve sobre mim o efeito de um relâmpago. Diariamente, eu aguardava ansioso os jornais, devorava telegramas e boletins, e considerava-me feliz por ser, ao menos de longe, testemunha dessa luta de titãs.
A guerra russo-japonêsa já me encontrou sensivelmente mais amadurecido e, tambémmais atento aos acontecimentos. Moviam-me, sobretudo, razões nacionais. Desde os primeiros momentos, tomei partido, e, discutindo as opiniões correntes, coloquei-meimediatamente do lado dos japoneses, pois via na derrota dos russos uma diminuição do espírito eslavo na Áustria.
Muitos anos se passaram desde então, e aquilo que, outrora, quando ainda rapaz, meparecia morbidez, compreendia agora como sendo a calma, antes da tempestade. Já desde o tempo em que vivia em Viena pairava sobre os Balcãs aquela atmosfera pesada, prenúncio de tempestade, e já lampejos mais claros riscavam o céu, mas se perdiam ligeiros nas trevas sinistras. Em seguida, veio a guerra dos Balcãs, e, com ela, o primeiro temporal varreu a Europa, já agora nervosa. A época que se seguiu influiu como um pesadelo sobre os homens. O ambiente estava tão carregado que, em virtude do mal-estar que a todos afligia, a catástrofe que se aproximava chegou a ser desejada. Que os céus dessem livre curso ao des. tino, já que não havia barreiras que o detivessem! Caiu então o primeiro formidável raio sobre a terra; a tempestade desencadeou-se, e, aos trovões do céu, juntavam-se as baterias da guerra mundial.
Quando a notícia do assassinato do grão-duque Francisco Ferdinando chegou a Munique, eu estava justamente em casa e ouvia contar o desenrolar dos acontecimentos de maneira muito vaga. Meu primeiro receio foi que as balas assassinas tivessem partido de estudantes alemães, que, indignados com o constante trabalho de eslavização feito pelo herdeiro presuntivo da coroa austríaca, tivessem querido livrar o povo alemão desse inimigo interno. As conseqüências eramfáceis de imaginar: uma nova onda de perseguições aos alemães, que, agora, facilmente seriam explicadas e justificadas, perante
o mundo. Quando, porém, logo depois, ouvi o nome dos autores presumíveis e verifiquei que eram sérios, fiquei estupefato ante essa vingança do destino impenetrável. O maior amigo da raça eslava caíra sob as balas de fanáticos eslavos! Quem, nos últimos anos, tivesse tido oportunidade de observar constantemente as relações entre a Áustria e a Sérvia, não poderia duvidar, nem um segundo, de que a pedra começara a rolar e que nada poderia detê-la na sua queda.
É uma injustiça fazer hoje em dia recriminações ao governo de Viena sobre a forma e o conteúdo do seu Ultimatum. Nenhuma outra potência do mundo teria agido de maneira diferente, se se encontrasse em idênticas condições. A Áustria tinha, na sua fronteira sudoeste, um inimigo de morte, o qual, cada vez mais, desafiava a Monarquia e nisso persistiria até que chegasse o momento propicio à destruição do Império. Receava-se, comrazão, que isso se desse, o mais tardar, coma morte do velho imperador. E, nesse momento, talvez a monarquia não estivesse em condições de oferecer resistência séria.
O Estado inteiro encontrava-se, nos últimos anos, de tal maneira dependente da vida de Francisco José, que a morte desse homem, tradicional personalização do Império, eqüivaleria, no sentir da massa popular, à morte do próprio Império. Era até considerado uma das mais inteligentes manobras, sobretudo da política eslava, fazer crer que a Áustria devia a sua existência à habilidade extraordinária e única desse monarca. Essa bajulação era tanto mais apreciada na Corte, quando ela emnada correspondia, na realidade, ao mérito desse Imperador. Não se podia ver o espinho escondido atrás dessa lisonja. Não se lobrigava ou não se queria ver que, quanto mais a monarquia dependesse da extraordinária arte de governar, como se costumava dizer, deste mais sábio monarca de todos os tempos, tanto mais catastrófica seria a situação, quando um dia o destino batesse a essa porta, reclamando o seu tributo.
Seria possível imaginar a velha Áustria sem o seu velho Imperador?
Não se repetiria, imediatamente, a tragédia que outrora atingira Maria Teresa? Não! Na verdade, é uma injustiça que se faz aos círculos governamentais de Viena censurá-los por terem eles provocado uma guerra que talvez tivesse sido possível evitar. Esse desfecho era, porém, inevitável. Quando muito poderia ter sido protelado por um ou dois anos. Foi este o castigo das diplomacias, tanto da alemã como da austríaca. Elas sempre tentaram protelar o ajuste de contas que tinha de vir e agora eram forçadas a dar o golpe na hora menos favorável. A verdade é que mais outra tentativa para manter a paz teria trazido a guerra numa época ainda menos propícia. Quem não quisesse esta guerra deveria ter a coragem de arcar com as conseqüências. Essas, porém, só poderiam consistir no sacrifício da Áustria. Assim mesmo, a guerra teria vindo, talvez não mais como a luta de todos contra nós mas sim tendo como finalidade o aniquilamento da monarquia dos Habsburgos. De qualquer modo, uma decisão tinha de ser tomada: ou entrávamos na guerra ou ficaríamos de fora, observando, a fim de vermos, de mãos cruzadas, o destino seguir o seu curso.
Justamente aqueles que, hoje, mais vociferam contra o desencadear da guerra, foram os que mais funestamente ajudaram a atiçá-la.
A social-democracia, há dezenas de anos, fomentava, da maneira mais torpe, a guerra contra a Rússia, enquanto o Partido do Centro, baseado num ponto de vista religioso, fazia a política alemã girar em torno do Estado austríaco. Tinha-se que arcar com as conseqüências desse erro. O que veio tinha de vir e, em hipótese nenhuma, poderia ser evitado. A culpa do governo alemão neste caso foi de perder sempre as boas oportunidades de intervenção, devido à preocupação constante de manter a paz. Assim agindo, o governo se emaranhava em uma coligação destinada à manutenção da paz universal, para tornar-se, por fim, a vítima de uma coligação do mundo inteiro, que antepunha à pressão pela manutenção da paz a determinação de fazer a guerra.
Caso o governo de Viena tivesse dado uma forma mais suave ao seu ultimato, em nada teria mudado a situação. Quando muito teria sido varrido do poder pela indignação popular. Aos olhos da grande massa do povo, o tom do ultimato ainda era brando demais e, de modo nenhum, lhe parecia brutal. Nele não havia excessos. Quem hoje procura negar isso ou é um desmemoriado ou um mentiroso consciente. Graças a Deus, a luta do ano de 1914 não foi, na realidade, imposta e sim desejada pelo povo inteiro. Todos queriam acabar de vez com uma insegurança generalizada. Só assimpode-se também compreender que mais de dois milhões de alemães, homens e rapazes, se pusessem voluntariamente sob a bandeira decididos a protegê-la com a última gota do seu sangue.
Aquelas horas foram para mim uma libertação das desagradáveis recordações da juventude, Até hoje não me envergonho de confessar que, dominado por delirante entusiasmo, caí de joelhos e, de todo coração, agradeci aos céus ter-me proporcionado a felicidade de poder viver nessa época.
Tinha-se desencadeado uma luta de libertação, a mais formidável que o mundo jamais vira, pois logo que a fatalidade tinha iniciado o seu curso, as grandes massas perceberamque, desta vez, não se tratava do destino nem da Sérvia nem da Áustria, e sim da vida ou morte da nação alemã.
Pela primeira vez, depois de muitos anos, o povo via claro o seu próprio futuro. Assim é que, logo no começo da luta titânica, ainda sob a ação de um transbordante entusiasmo, brotaram, no espírito do povo, os sentimentos à altura da situação, pois somente esta idéia de salvação geral conseguiu que a exaltação nacional significasse alguma coisa mais do que simples fogo de palha. A certeza da gravidade da situação era, porém, por demais necessária. Em geral, ninguém podia, naquela época, ter a menor idéia da duração da luta que, então, se iniciava. Sonhava-se poder estar de volta, à casa, no próximo inverno, a fimde retomar o trabalho pacífico. Aquilo que o homem deseja vale como objeto de esperança e crença. A grande maioria da nação estava cansada do eterno estado de insegurança. Só assim pode-se compreender que não se pensasse numa solução pacífica do conflito austro-sérvio, mas em uma solução definitiva para as complicações existentes. Ao número desses milhões que assim pensavam pertencia eu.
Mal se tinha divulgado em Munique a notícia do atentado e já me passavam pela mente duas idéias, a saber: a guerra seria absolutamente inevitável e o império dos Habsburgos seria forçado a ficar fiel às suas alianças. O que eu mais havia temido sempre era a possibilidade de a Alemanha entrar em conflito - talvez mesmo em conseqüência dessa aliança - sem que a Áustria tivesse sido a causa direta, e que, dessa maneira, o governo austríaco não se decidisse, por motivo de política interna, a se colocar ao lado do seu aliado. A maioria eslava do Império teria imediatamente iniciado a sua resistência a uma decisão espontânea nesse sentido, preferindo ver o Império destruído nos seus fundamentos a conceder o auxílio solicitado. Entretanto, esse perigo estava agora afastado. O velho Império tinha de lutar, por bem ou por mal.
Minha atitude em face do conflito era bem clara e definida. Para mim não se tratava de uma guerra para que a Áustria obtivesse satisfação por parte da Sérvia. Não. A Alemanha é que lutava pela sua vida, e com ela o povo pela sua existência, pela sua liberdade, por seu futuro. A política de Bismarck ia ser seguida. Aquilo que os antepassados haviamconquistado com o sacrifício do sangue dos seus heróis nas batalhas de Weissenburg, até Sedan e Paris, tinha de ser reconquistado pela jovem Alemanha. Caso fosse essa luta vitoriosa, o nosso povo entraria de novo no rol das grandes potências, com o seu poder exterior aumentado. E assim o Império alemão poderia se tornar uma eficiente garantia da paz, sem ter de diminuir o pão de cada dia de seus filhos, em nome dessa mesma paz.
Quantas vezes, rapazinho ainda, tive o desejo sincero de poder provar por fatos que para mim o entusiasmo nacional não era uma pura fantasia. A mim me parecia muitas vezes quase um crime aplaudir o que quer que fosse sem se estar convencido da razão de ser de seus gestos. Quem tinha o direito de assim agir sem ter passado por aqueles momentos difíceis sem que a mão inexorável do destino, dando aos acontecimentos um tom mais sério, exige a sinceridade das atitudes humanas? Meu coração, como o de milhões de outros, transbordava de orgulho e felicidade por poder de vez libertar-me dessa situação de inércia.
Tantas vezes tinha eu cantado o Deutschland, Deutschland über alles, com todas as forças de meus pulmões e gritado Heil... que quase me parecia uma graça especial poder comparecer agora, perante a justiça divina, para afirmar a sinceridade dessa minha atitude. Desde o primeiro instante estava firmemente decidido, em caso de guerra - esta me parecia inevitável - a abandonar os livros imediatamente. Ao mesmo tempo sabia muito bem que o meu lugar seria aquele para onde me chamava a voz da consciência. Por motivos políticos, tinha preliminarmente abando. nado a Áustria. Nada mais natural, pois, que agora que se iniciava a luta, coerente com as minhas opiniões políticas, eu assim procedesse. Não era meu desejo lutar pelo império dos Habsburgos. Estava pronto, porém, a morrer, emqualquer instante, pelo meu povo ou pelo governo que o representasse na realidade.
A 3 de agosto apresentei um requerimento a S. M. o rei Luís III, no qual eu solicitava a permissão para assentar praça num regimento bávaro. A secretaria do Governo, naquela ocasião, como era natural, estava assoberbada de serviço. Por isso tanto mais alegre fiquei ao tomar conhecimento, já no dia seguinte, do despacho favorável à minha solicitação. Ao abrir, com mãos trêmulas, o documento no qual li o deferimento do meu pedido, com a recomendação de me apresentar a um regimento bávaro, meu contentamento e minha gratidão não tiveram limites. Poucos dias depois, eu envergava a farda, que só quase seis anos mais tarde deveria despir.
Começou então para mim, como provavelmente para todos os outros alemães, a mais inesquecível e a maior época da minha vida. Comparado com a luta titânica que se travava, todo o passado desaparecia inteiramente. Comorgulho e saudade, recordo-me, justamente nesses dias em que se passa o 10o. aniversário daqueles formidáveis acontecimentos, das primeiras semanas daquela luta heróica de nosso povo, na qual graças à benevolência do destino, me foi dado tomar parte.
Como se fosse ontem, passam diante de meus olhos todos os acontecimentos. Vejo-me fardado, no círculo dos meus queridos camaradas. Lembro-me da primeira vez que saímos para exercícios militares, etc., até que enfim chegou o dia da partida para o front.
Uma única preocupação me afligia naquele momento, a mim como a muitos outros. Era recear chegarmos tarde demais no front. Essa idéia não me deixava tranqüilo. A cada manifestação de júbilo por um novo feito heróico, sentia uma profunda tristeza, pois toda a vez que se festejava uma nova vitória, parecia para mim aumentar o perigo de chegarmos demasiadamente tarde. Finalmente, chegou o dia de deixarmos Munique, a fim de nosapresentarmos ao cumprimento do dever. Tive então a oportunidade de ver, pela primeira vez, o Reno, na nossa viagem para o ocidente, feita ao longo das suas águas calmas. A nós estava confiada a defesa, contra a cobiça dos inimigos, do mais germânico de todos os rios. Quando os primeiros raios de sol da manhã, atravessando um leve véu de neblina, refletiam-se no monumento de Niederwald, irrompeu, do longuíssimo trem de transporte, a velha canção alemã Die Wacht am Rhein. Senti-me transbordante de entusiasmo.
Em seguida, veio uma noite úmida e fria, em Flandres, durante a qual marchamos silenciosos e, quando o sol começou a despontar através das nuvens, rompeu de repente sobre as nossas cabeças uma saudação de aço, e, entre as nossas fileiras, sibilavam balas que caíam levantando a terra molhada. Antes de desaparecer a pequena nuvem, duzentas bocas gritavam ao mesmo tempo urra a esses primeiros mensageiros da morte. Emseguida, começou o pipocar da metralha, a gritaria, o estrondo da artilharia, e, febricitante de entusiasmo, cada um marchava para a frente, cada vez mais depressa, até que, sobre os campos de beterraba, e, através das charnecas, começou a luta corpo a corpo. De longe, porém, chegavam aos nosso ouvidos os sons de uma canção, que, cada vez mais se aproximava, passando, de companhia a companhia, e, enquanto a morte dizimava as nossas fileiras, a canção chegava a nós e nós a passávamos adiante: Deutschland, Deutschland, über alles, über alles in der Welt!
Passados quatro dias, voltamos. Até a maneira de andar dos soldados se tinha modificado. Rapazes de dezessete anos pareciam homens feitos. Os voluntários do regimento de List talvez não tivessem aprendido bem a lutar, o que é certo é que sabiammorrer como velhos soldados
Esse foi o começo.
Assim continuou a luta, ano a ano. Ao romantismo das batalhas tinha sucedido o horror. O entusiasmo se arrefecera aos poucos e o júbilo transbordante foi abafado pelo pavor da morte. Chegou a época em que cada um tinha de lutar entre o instinto de conservação e o imperativo do dever. Também eu não escapei a essa luta. Cada vez que a morte rondava algo indeterminado procurava se revoltar, baseado na razão, e, no entre. tanto, isso nada mais era do que a covardia que, assim disfarçada, procurava envolver cada um. Começou uma luta pró e contra, e o último resto de consciência decidia definitivamente. Entretanto quanto mais claro se ouviam essas vozes que recomendavam cautela, quanto mais elas procuravam atrair e falar alto, tanto mais violenta era a resistência, até que, enfim, após longa luta interior, a consciência do dever vencia. Já no inverno de 1915 a 1916 eu tinha decidido essa luta. A vontade tinha finalmente conseguido se impor. Nos primeiros dias, eu tinha avançado com júbilo e alegria nos lábios; agora me encontrava calmo e decidido. Assim devia permanecer até o fim. Só agora o destino podia caminhar para as últimas provas, sem que os meus nervos se rompessem ou a minha razão falhasse.
O jovem voluntário tinha se transformado num soldado experimentado.
Essa transformação tinha se operado no exército inteiro. As lutas constantes o tinham envelhecido e ao mesmo tempo, enrijado. Os que não puderam resistir à tempestade forampor ela vencidos. Somente agora é que se poderia julgar esse exército. Só agora depois de dois a três anos em que uma batalha se seguia a outra, em que ele combatera contra inimigos superiores em número e em armas, sofrendo fome e necessidades, só agora é que se podia avaliar o valor desse exército, único no mundo.
Durante milhares de anos ninguém poderá falarem heroísmo sem se lembrar do exército alemão na guerra mundial. Só então, do véu do passado, a fronte de aço do capacete cinzento, firme e inabalável, aparecerá como monumento imortal. Enquanto houver alemães na face da terra, eles terão de se lembrar que aqueles homens eram dignos filhos da Pátria.
Eu era soldado naquela ocasião e não queria me meter em política. A época na verdade não era para isso. Até hoje sou da opinião que o último cocheiro prestou ao país serviços maiores do que o primeiro, digamos assim,parlamentar. Nunca odiei tanto estes palradores como no tempo em que cada indivíduo decidido que tinha alguma coisa a dizer, ou berrava-a na cara de seus inimigos ou então calava-se oportunamente e cumpria silenciosamente o seu dever, fosse onde fosse. De fato, naquela época, eu odiava esses políticos, e se fosse por mim, teria mandado formar imediatamente um batalhão parlamentar de sapadores. Só assim eles poderiam, inteiramente à vontade, expandir entre si a sua verborragia, sem incomodar ou prejudicar o resto da humanidade honesta e decente.
Naquela época eu não queria saber de política; entretanto não tinha outro remédio senão tomar partido em certos acontecimentos que diziam respeito à nação inteira, sobretudo a nós soldados.
Havia duas coisas que então me aborreciam intimamente e eram por mim consideradas prejudiciais à causa da nação.
Logo após as primeiras notícias de vitórias, uma certa imprensa começou a deixar cair sobre o entusiasmo geral algumas gotas de entorpecente, e isso devagar e desapercebidamente para muitos. Agia, essa mesma imprensa, sob a máscara de boa vontade, de boas intenções e até mesmo de zelo pela sorte do soldado. Receava-se um excesso no festejar das vitórias. Além disso, havia o pensamento de que essa forma de celebrar os triunfos militares não era digna de uma grande nação. Achava-se que a bravura e o heroísmo do soldado alemão deveriam ser naturais, sem espetaculosidades. Os alemães não se deviam deixar empolgar por manifestações de contentamento irrefletidas, que iriamrepercutir no estrangeiro, o qual apreciaria a forma calma e digna de alegria mais do que uma exaltação desmedida, etc. Nós alemães, acrescentavam, não deveríamos esquecer que a guerra não estava no nosso programa, e, por isso, não deveríamos nos envergonhar de confessar abertamente que, em qualquer época, contribuiríamos com o nosso esforço para a confraternização da humanidade. Não era, pois, conveniente empanar a pureza dos leitos do exército com uma gritaria demasiado espetaculosa. O resto do mundo compreenderia muito mal essa maneira de agir. Nada é mais admirado do que a modéstia com que um verdadeiro herói esquece, silenciosa e calmamente, os seus maiores feitos.
Em vez de pegar esses camaradas pelas orelhas, amarrá-los a um poste e puxá-los por uma corda, a fim de que a nação em festas não mais pudesse ofender a sensibilidade estética de tais escrevinhadores, começou-se a proceder na realidade contra a maneira inadequada de celebrar as vitórias.
Não se tinha a mais pálida idéia de que o entusiasmo, uma vez abafado, não mais pode ser provocado quando se deseja. Ele é uma embriaguez e deve ser mantido nesse estado. Como, porém, se poderia manter uma luta semessa força do entusiasmo, principalmente tratando-se de uma luta que iria pôr à prova, de uma maneira inédita, as qualidades morais da nação?
Eu conhecia o bastante sobre a psicologia das grandes massas para saber que comsentimentalismo estético não se poderia manter aceso esse ardor cívico. No meu modo de ver, era rematada loucura não atiçar o fogo dessa paixão. O que eu ainda menos compreendia é que se procurasse destruir o entusiasmo existente. O que me irritava tambémera a atitude que se tomava em relação ao marxismo. Para mim essa atitude era uma prova de que não se tinha a mínima idéia do que fosse essa calamidade. Acreditava-se seriamente ter reduzido à inação o marxismo, com a simples declaração de que agora não existiammais partidos.
Não se percebia absolutamente que, no caso, não se tratava de um partido e sim de uma doutrina que tende a destruir a humanidade inteira. Compreende-se isso, considerando-se que, nas Universidades sujeitas a influências semíticas, nada se dizia a respeito, e que muitos, sobretudo nossos altos funcionários, acham, por uma questão de tola pretensão, inútil o aprender algo que não figure entre as matérias lecionadas nas escolas superiores. As transformações sociais mais radicais passam despercebidas a essas cabeças ocas, razão pela qual as instituições do governo são em muito inferiores às instituições particulares. Àquelas calha bem o provérbio: O que o camponês não conhece, não come. Algumas poucas exceções só servem para confirmar a regra.
Foi tolice rematada identificar o trabalhador alemão com o marxismo, nos dias de agosto de 1914. O trabalhador alemão tinha-se livrado, justamente naquela época, desse veneno. Se assim não fosse, ele nunca teria se apresentado para a guerra. Pensou-se estupidamente que o marxismo tinha-se tornado nacional. Essa suposição só serve para mostrar que, nesses longos anos, nenhum dos dirigentes do Estado se tinha dado ao trabalho de estudar a essência dessa doutrina, pois, se assim fosse, dificilmente se teria propalado semelhante tolice.
O marxismo, cuja finalidade última é e será sempre a destruição de todas as nacionalidades não judaicas, teve de verificar com espanto que, nos dias de julho de 1914, os trabalhadores alemães, já por eles conquistados, despertaram, e cada dia com mais ardor se apresentavam ao serviço da pátria. Empoucos dias, estava destruída a mistificaçãodesses embusteiros infames dos povos. Solitária e abandonada, encontrava-se essa corja de agitadores judeus, como se não restasse mais um traço das loucuras inculcadas, durante mais de 60 anos, ao operariado alemão. Foi um mau momento para esses mistificadores. Logo que tais agitadores perceberam o grande perigo que os ameaçava, em conseqüência de suas constantes mentiras, disfarçaram-se e trataram de fingir que acompanhavam o entusiasmo nacional.
Tinha chegado agora o momento oportuno de proceder contra a traiçoeira camarilha de envenenadores do povo. Dever-se-ia ter agido sumariamente, sem consideração para comas lamentações que provavelmente se desencadeariam. Em agosto de 1914 tinhamdesaparecido, como por encanto, as idéias ocas de solidariedade internacional e, no lugar delas, já poucas semanas depois, choviam, sobre os capacetes das colunas em marcha, as bênçãos fraternais dos shrapnell americanos. Teria sido dever de um governo cuidadoso exterminar sem piedade os destruidores do nacionalismo, uma vez que os operários alemães se tinham integrado de novo na Pátria.
Em um tempo em que os melhores elementos da nação morriam no front, os que ficaramem casa, entregues aos seus trabalhos, deviam ter livrado a nação dessa piolharia comunista.
Ao invés disso, sua Majestade o Kaiser estendia a mão a esses conhecidos criminosos, dando, assim, oportunidade a esses pérfidos assassinos da nação de voltarem a si e de recuperarem o tempo perdido.
A víbora podia, pois, recomeçar o seu trabalho, com mais cautela do que antes, porém de maneira mais perigosa. Enquanto os honestos sonhavam com a paz, os criminosos traidores organizavam a revolução.
Senti-me intimamente desgostoso com essas meias medidas. O que eu nunca poderia imaginar, porém, era que o fim fosse tão horroroso.
Que se deveria fazer? Pôr os dirigentes do movimento nos cárceres, processá-los e deles livrar a nação. Ter-se ia de empregar com a máxima energia todos os meios de ação militar, a fim de destruir essa praga. Os partidos teriam de ser dissolvidos, o Reichstag teria de ser chamado à. razão pela força convincente das baionetas. O melhor até teria sido dissolvê-lo. Assim como a República, hoje, tem meios de dissolver os partidos, naquela época, com mais razão, devia-se ter apelado para tal recurso, pois se tratava de uma questão de vida ou de morte de toda uma nação.
É verdade que nesses momentos surge sempre a pergunta: Será. possível destruir idéias a ferro e a fogo? Será possível combater concepções universais empregando a força bruta?
Já naquele tempo, por mais de uma vez, me fiz a mim mesmo essas perguntas. Meditando sobre casos análogos, principalmente sobre aqueles casos da história universal que se baseiam em fundamentos religiosos, chega-se à seguinte conclusão básica:
As idéias, assim como os movimentos que têm uma determinada base espiritual, seja ela certa ou errada, só podem, depois de ter atingido um certo período de sua evolução, ser destruídos por processos técnicos de violência, quando essas armas são elas mesmas portadoras de um novo pensamento flamejante, de uma idéia, de um princípio universal.
O emprego exclusivo da violência, sem o estímulo de um ideal preestabelecido, não pode jamais conduzir à destruição de uma idéia ou evitar a sua propagação, exceto se essa violência tomar a forma de exterminação irredutível do último dos adeptos do novo credo e da sua própria tradição. Isto significa, entretanto, na maioria dos casos, a segregação de umtal organismo político do círculo das atividades, às vezes por tempo indefinido e até para sempre. A experiência tem mostrado que um tal sacrifício de sangue atinge em cheio a parte mais valiosa da nacionalidade, pois toda perseguição que tem lugar sem prévia preparação espiritual, revela-se como moralmente injustificada, provocando protestos veementes dos mais eficientes elementos do povo, protesto esse que redunda geralmente em adesão ao movimento perseguido. Muitos assim procedem por um sentimento de repulsa a todo combate a idéias, pela força bruta.
O número dos adeptos cresce então proporcionalmente à intensidade da perseguição. Entretanto, o extermínio sem tréguas da nova doutrina só poderá ser possível à custa de grande e crescente dizimação dos que a aceitam, dizimação que, em última análise, conduzirá o povo ou o governo ao depauperamento. Tal processo será, desde o princípio, inútil, quando a doutrina a ser combatida já tenha ultrapassado certo círculo restrito.
É por isso que aqui, como em todo processo de crescimento, o período da infância é o que está mais exposto à destruição, enquanto que, com o correr dos anos, a força de resistência aumenta, para só ceder lugar à nova infância com a aproximação da fraqueza senil, se bem que sob outra forma e por outros motivos.
De fato, quase todas as tentativas de, por meio da força, e sem base espiritual, destruir uma doutrina, conduzem ao insucesso e não raras vezes ao contrário do desejado, e isso pelos seguintes motivos:
A primeira de todas as condições para uma luta pela força bruta é a persistência. Isto quer dizer que só há possibilidade de êxito no combate a uma doutrina quando se empregam métodos de repressão uniformes e sem solução de continuidade. Fazendo-se, entretanto, indecisamente, alternar a força com a tolerância, acontecerá que, não só a doutrina a ser destruída conseguirá fortificar-se mas também ela ficará em situação de tirar novas vantagens de cada perseguição, pois que, passada a primeira onda de compressão, a indignação pelo sofrimento lhe trará novos adeptos, enquanto que os já existentes se conservarão cada vez mais fiéis. Mesmo aqueles que tinham abandonado as fileiras, passado o perigo, voltarão a elas. A condição essencial do sucesso é a aplicação constante da força. A continuidade é, porém, sempre o resultado de uma convicção espiritual determinada. Toda força que não provém de uma firme base espiritual torna-se indecisa e vaga. A ela faltará a estabilidade que só poderá repousar em certo fanatismo. Emana da energia e decisão bruta de um indivíduo. Está, porém, sujeita a modificações de acordo comas personalidades que a aceitam, isto é, com a força e o modo de ser de cada um.
Além disso, há a considerar outra coisa: toda concepção universal, seja ela religiosa ou política - às vezes é difícil estabelecer a linha divisória - luta menos pela destruição negativa do mundo de idéias contrário do que pela vitória positiva de suas próprias idéias. A luta consiste assim, menos na defensiva, do que na ofensiva. Entretanto, ela ainda leva uma vantagem, pois tem o seu objetivo determinado, isto é a vitória da própria idéia, enquanto que, inversamente, é difícil determinar quando está atingido o fim negativo da destruição da doutrina inimiga. Aqui tambéma decisão pertence ao ataque e não à defesa. A luta contra uma força espiritual por meios violentos só é uma defesa enquanto as armas não são elas mesmas portadoras e disseminadoras de uma nova doutrina.
Resumindo, pode-se estabelecer o seguinte: Toda tentativa de combater pelas armas um princípio universal tem de ser mal sucedida, enquanto a luta não tomar rigorosamente forma de ofensiva por novas idéias. É somente na luta de dois princípios universais que a força bruta, empregada, persistente e decididamente, pode provocar a decisão favorável ao lado por ela sustentado. Por isso é que até então tinha fracassado a luta contra o marxismo.
Este foi o motivo pelo qual a legislação socialista de Bismarck acabou falhando e tinha de falhar. Faltou a plataforma de uma nova doutrina universal por cuja vitória se deveria ter lutado. De fato, estimular uma luta de vida e morte com expressões vazias, tais comoautoridade do Estado, paz e ordem, é algo que só poderia mesmo ocorrer a altos funcionários de secretaria, sabidamente ocos de idéias. Faltando, como faltou, nessa luta, uma verdadeira base espiritual, teve Bismarck de contar, a fim de poder introduzir a sua legislação socialista, com uma instituição que nada mais era do que um aborto do comunismo.
Confiando o destino de sua guerra ao marxismo à complacência da democracia burguesa, o chanceler de ferro queria fazer da ovelha, lobo.
Entretanto, tudo isso era a conseqüência forçada da falta de um princípio geral básico e de grande poder conquistador. que fosse oposto ao marxismo. O resultado final da luta de Bismarck redundou, pois, numa grande desilusão.
Eram, porém, as condições, durante a guerra, ou mesmo no seu começo, diferentes? Infelizmente, não.
Quanto mais eu me preocupava com a idéia de uma modificação de atitude do governo com relação à social-democracia - partido esse que no momento, representava o marxismo - tanto mais eu reconhecia a falta de um sucedâneo para essa doutrina.
Que se ia oferecer às massas, na hipótese da queda da social-democracia? Não havia ummovimento ao qual fosse lícito esperar que pudesse atrair as massas de operários, nesse momento, mais ou menos, sem guias. Seria rematada ingenuidade imaginar que o fanático internacional, que já havia abandonado o partido de classe, se decidisse a entrar numpartido burguês, portanto em uma nova organização de classe. Isso é inegável, embora não seja do agrado das várias organizações que parece acharemmuito natural uma cisão de classes, até o momento em que essa cisão não comece a lhes ser desfavorável sob o ponto de vista político. A contestação desse tato só serve para provar a insolência e a estupidez dos mentirosos.
De um modo geral, é um erro julgar que a grande massa seja mais tola do que parece. Em política não é raro o sentimento decidir mais acertadamente do que a razão.
A alegação de que a massa erra, deixando-se levar pelo sentimento,
alegação que se procura evidenciar coma sua ingênua atitude na política internacional - pode-se rebater vigorosamente observando-se o fato de não ser menos insensata a democracia pacifista, cujos lideres, no entanto, provêm exclusivamente da burguesia.
Enquanto milhões de cidadãos rendem culto, todas as manhãs, à sua imprensa democrática, ficará muito mal a estes senhores rirem das tolices do companheiro que, no final das contas, engole as mesmas asneiras, se bem que com outra encenação. Nos dois casos, o fabricante desses raciocínios é sempre judeu.
Deve-se, portanto, evitar a negação de fatos que existem na realidade. O fato de que há uma questão de classe (não se trata exclusivamente de problemas ideais, conforme se costuma fazer crer, sobretudo em épocas de eleições) não pode ser contestado. O sentimento de classe de grande parte de nosso povo, bem como o menosprezo do trabalhador manual, é um fenômeno que não provém da fantasia de um lunático.
Não obstante, ele mostra a pequena capacidade de raciocínio dos nossos chamados intelectuais, quando, justamente nesses círculos, não se compreende que um estado de coisas, o qual não pode evitar o desenvolvimento de uma calamidade como o marxismo, agora não está mais em condições de reconquistar o perdido.
Os partidos burgueses, como eles mesmos se denominam, não poderão jamais contar com o apoio das massas proletárias, pois aqui temos dois mundos antagônicos, em parte naturalmente, em parte artificialmente cindidos, e cuja atitude recíproca só pode ser a deluta. O vencedor neste caso só poderia ser o mais jovem, e esse seria o marxismo.
De fato, em 1914, seria possível imaginar uma luta contra a social-democracia. Agora, predizer o tempo da duração deste embate seria duvidoso, uma vez que faltava umsucedâneo prático para ela.
Aqui havia uma grande lacuna.
Eu possuía essa opinião já muito antes da Guerra e, por isso, nunca pude me decidir a me aproximar de um dos partidos existentes. No correr dos acontecimentos da guerra mundial tive essa minha opinião reforçada pela impossibilidade visível de começar a luta sem tréguas contra a social-democracia, já que faltava um movimento que fosse mais do que um partido parlamentar>. Muitas vezes me externei a esse respeito com os meus camaradas mais íntimos. Apareceram-me então as primeiras idéias de, mais tarde, tomar parte na política.
Justamente foi esse o motivo que fez com que eu muitas vezes comunicasse ao pequeno círculo de meus amigos a minha intenção de, passada a Guerra, combinar o meu trabalho profissional com a atividade política, como orador.
Creio que isso estava resolvido, no meu espirito, com toda a seriedade.


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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A PROPAGANDA DA GUERRA

       


CAPÍTULO VI - A PROPAGANDA DA GUERRA


Observador cuidadoso dos acontecimentos políticos, sempre me interessou vivamente a maneira por que se fazia a propaganda da guerra. Eu via nessa propaganda um instrumento manejado, com grande habilidade, justamente pelas organizações sociais comunistas. Compreendi, desde logo, que a aplicação adequada de uma propaganda é uma verdadeira arte, quase que inteiramente desconhecida dos partidos burgueses. somente o movimento cristão social, sobretudo na época de Lueger, aplicou este instrumento com grande eficiência e a isso se devem muitos dos seus triunfos.
A que resultados formidáveis uma propaganda adequada pode conduzir, a guerra já nos tinha mostrado. Infelizmente tudo tinha de ser aprendido com o inimigo, pois a atividade, do nosso lado, nesse sentido, foi mais do que modesta. Justamente o insucesso total do plano de esclarecimento do povo do lado alemão, foi para mim um motivo para me ocupar mais particularmente da questão de propaganda.
Não nos faltava oportunidade para pensar sobre essa questão. Infelizmente as lições práticas eram fornecidas pelo inimigo e custaram-nos caro. O adversário aproveitou, cominaudita habilidade e cálculo verdadeiramente genial, aquilo de que nos havíamos descuidado. Aprendi imensamente nessa propaganda de guerra feita pelo inimigo. Aqueles que da mesma se deviam ter servido, como lição eficiente, deixaram-na passar despercebida; julgavam-se espertos demais para aprender dos outros. Por outro lado, não havia vontade honesta para tal.
Haveria entre nós uma propaganda?
Infelizmente, só posso responder pela negativa. Tudo o que, na realidade, foi tentado nesse sentido era tão inadequado e errôneo, desde o princípio, que em nada adiantava. Às vezes era até prejudicial. Examinando atentamente o resultado da propaganda de guerra alemã, chegava-se à conclusão de que ela era insuficiente na forma e psicologicamente errada, na essência.
Começava-se por não se saber claramente se a propaganda era um meio ou um fim.
Ela é um meio e, como tal, deve ser julgada do ponto de vista da sua finalidade. A forma a tomar deve consentir no meio mais prático de chegar ao fim que se colima. É tambémclaro que a importância do objetivo que se tem em vista pode se apresentar sob vários aspectos, tendo-se em vista o interesses social, e que, portanto, a propaganda pode variar no seu valor intrínseco. A finalidade pela qual se lutava durante a guerra era a mais elevada e formidável que se pode imaginar. Tratava-se da liberdade e da independência de nosso povo, da garantia da vida, do futuro e, em uma palavra, da honra da nação. Estávamos emface de uma questão que, não obstante opiniões divergentes de muitos, ainda existe ou melhor deve existir, pois os povos sem honra costumam perder a liberdade e a independência, mais tarde ou mais cedo. Isso, por sua vez, corresponde a uma justiça mais elevada, pois gerações de vagabundos sem honra não merecem a liberdade. Aquele, porém,que quiser ser escravo covarde não deve ter o sentimento de honra, pois, do contrário, esta cairia muito rapidamente no desprezo geral.
O povo alemão lutava por sua existência e o fim da propaganda da guerra devia ser o de apoiar essa luta. Levá-la à vitória, eis o seu objetivo.
Quando, porém, os povos lutam neste planeta por sua existência, quando se trata de uma questão de ser ou não ser, caem por terra todas as considerações de humanidade ou de estética, pois todas essas idéias não estão no ambiente, mas originam-se na fantasia dos homens e a ela estão presas. Com a sua partida desse mundo desaparecem também essas idéias, pois a natureza não as conhece. Mesmo entre os homens, elas só são próprias a alguns povos ou melhor a certas raças, na medida que elas provém do sentimento desses mesmos povos ou raças. O sentimento humanitário e estético desapareceria, até mesmo de um mundo habitado, uma vez que este perdesse as raças criadoras e portadoras dessa idéia.
Todas essas idéias têm uma significação secundária na luta de um povo pela sua existência, chegam mesmo a desaparecer, uma vez que possam contrariar o seu instinto de conservação.
Quanto à questão do sentimento de humanidade já Moltke afirmava que ele residia no processo sumário da guerra, e que, portanto, a maneira mais incisiva de combate, é a que conduz a esse fim.
Aqueles que procuram argumentar nesses assuntos com palavras, tais como estética, etc., pode-se responder da seguinte maneira: As questões vitais da importância da luta pela vida de um povo anulam todas as considerações de ordem estética. A maior fealdade na vida humana é e será. sempre o jugo da escravidão. Será possível que esses decadentes considerem estética a sorte atual do povo alemão? É verdade que, com os judeus, que são os inventores modernos dessa cultura perfumada, não se deve discutir sobre esses assuntos. Toda a sua existência é um protesto vivo contra a estética da imagem do Criador.
Se, na luta, esses pontos de humanidade e beleza são excluídos, eles também não poderão servir de orientação para a propaganda.
A propaganda durante a guerra era um meio para um determinado fim, e esse fim era a luta pela existência do povo alemão. Portanto, a propaganda só poderia ser encarada sob o ponto de vista de princípios conducentes àquele objetivo.
As armas mais terríveis seriamhumanas, desde que conduzissem a vitória mais rapidamente. Belos seriam somente os métodos que ajudassem a assegurar a dignidade à Nação: a dignidade da liberdade. Essa era a única atitude possível na questão da propaganda de guerra, numa luta de vida e de morte.
Fossem esses pontos conhecidos daqueles que os deviam conhecer, nunca se teriam verificado vacilações quanto à forma e aplicação dessa arma verdadeiramente terrível na mão de um conhecedor.
A segunda questão de importância decisiva era a seguinte: a quem se deve dirigir a propaganda, aos intelectuais ou à massa menos culta? A. propaganda sempre terá de ser dirigida à massa!
Para os intelectuais, ou para aqueles que, hoje, infelizmente assim se consideram, não se deve tratar de propaganda e sim de instrução científica. A propaganda, porém, por si mesma, é tão pouco ciência quanto um cartaz é arte, considerado pelo seu lado de apresentação. A arte de um cartaz consiste na capacidade de seu autor de, por meio da forma e das cores, chamar a atenção da massa. O cartaz de uma exposição de arte só tem em vista chamar a atenção sobre a arte da exposição; quanto mais ele consegue esse desideratum tanto maior é a arte do dito cartaz. Além disso, o cartaz deve transmitir à massa uma idéia da importância da exposição, nunca, porém, deverá ser um sucedâneo da arte que se procura oferecer. Assim, quem desejar se ocupar da arte mesma, terá de estudar mais do que o próprio cartaz, e não lhe bastará por exemplo, um simples passeio pela exposição. Dele se espera que se aprofunde nas várias obras, observando-as com todo cuidado, acabando por fazer delas um juízo justo.
Semelhantes são as condições do que hoje designamos pela palavra propaganda.
O fim da propaganda não é a educação científica de cada um, e sim chamar a atenção da massa sobre determinados fatos, necessidades, etc., cuja importância só assim cai no círculo visual da massa.
A arte está exclusivamente em fazer isso de uma maneira tão perfeita que provoque a convicção da realidade de um fato, da necessidade de um processo, e da justeza de algo necessário, etc. Como ela não é e não pode ser uma necessidade em si, como a sua finalidade, assim como no caso do cartaz, é a de despertar a atenção da massa e não ensinar aos cultos ou àqueles que procuram cultivar seu espírito, a sua ação deve ser cada vez mais dirigida para o sentimento e só muito condicionalmente para a chamada razão.
Toda propaganda deve ser popular e estabelecer o seu nível espiritual de acordo com a capacidade de compreensão do mais ignorante dentre aqueles a quem ela pretende se dirigir. Assim a sua elevação espiritual deverá ser mantida tanto mais baixa quanto maior for a massa humana que ela deverá abranger. Tratando-se, como no caso da propaganda da manutenção de uma guerra, de atrair ao seu círculo de atividade um povo inteiro, deve se proceder com o máximo cuidado, a fim de evitar concepções intelectuais demasiadamente elevadas.
Quanto mais modesto for o seu lastro científico e quanto mais ela levar em consideração
o sentimento da massa, tanto maior será o sucesso. Este, porém, é a melhor prova da justeza ou erro de uma propaganda, e não a satisfação às exigências de alguns sábios ou jovens estetas. A arte da propaganda reside justamente na compreensão da mentalidade e dos sentimentos da grande massa. Ela encontra, por forma psicologicamente certa, o caminho para a atenção e para o coração do povo. Que os nossos sabidos não compreendam isso, a causa está na sua preguiça mental ou no seu orgulho. Compreendendo-se, a necessidade da conquista da - grande massa, pela propaganda, segue-se daí a seguinte doutrina: É errado querer dar à propaganda a variedade, por exemplo, do ensino científico.
A capacidade de compreensão do povo é muito limitada, mas, em compensação, a capacidade de esquecer é grande. Assim sendo, a propaganda deve-se restringir a poucos pontos. E esses deverão ser valorizados como estribilhos, até que o último indivíduo consiga saber exatamente o que representa esse estribilho. Sacrificando esse princípio emfavor da variedade, provoca-se uma atividade dispersiva, pois a multidão não consegue nemdigerir nem guardar o assunto tratado. O resultado é uma diminuição de eficiência e consequentemente o esquecimento por parte das massas.
Quanto mais importante for o objetivo a conseguir-se, tanto mais certa, psicologicamente, deve ser a tática a empregar.
Por exemplo, foi um erro fundamental querer tornar o inimigo ridículo, como o fizeramos jornais humorísticos austríacos e alemães.
Este sistema é profundamente errado, pois o soldado, quando caia na realidade, fazia do inimigo uma idéia totalmente diferente, o que, como era de esperar, acarretou graves conseqüências. Sob a impressão imediata da resistência do inimigo, o soldado alemão sentia-se ludibriado por aqueles que o tinham orientado até então, e, em vez de um aumento de sua combatividade ou mesmo resistência, dava-se o oposto. O homem desanimava.
Em contraposição, a propaganda de guerra dos americanos e ingleses era psicologicamente acertada. Apresentando ao povo os alemães como bárbaros e Hunos, ela preparava o espírito dos seus soldados para os horrores da guerra, ajudando assim a preservá-los de decepções. A mais terrível arma que fosse empregada contra ele, parecer-lhe-ia mais uma confiança no que lhe tinham dito e aumentaria a crença na 'Veracidade das afirmações de seu governo como também, por outro lado, servia para fazer crescer o ódio contra o inimigo infame. O cruel efeito da arma do adversário que ele começava a conhecer parecia-lhe aos poucos uma prova da brutalidade feroz do inimigo bárbaro de que ele já tinha ouvido falar, sem que, por um segundo, tivesse sido levado a pensar que as suas próprias armas fossem, muito provavelmente, de ação mais terrível.
Assim é que, sobretudo o soldado inglês, nunca se sentiu mal informado pelos seus, o que infelizmente se dava com o soldado alemão, Este chegava a rejeitar as noticias oficiais como falsas, como verdadeiro embuste.
Tudo isso era a conseqüência de se entregar esse serviço de propaganda ao primeiro asno que se encontrava, em vez de compreender que para este serviço é necessário um profundo conhecedor da alma humana.
A propaganda de guerra alemã serviu de exemplo inexcedível em efeitos negativos, emvirtude da falta absoluta de raciocínio psicologicamente certo.
Muito se poderia ter aprendido do inimigo, sobretudo aquele que, de olhos abertos e com o sentido alerta, observasse a onda da propaganda inimiga durante os quatro anos e meio de guerra.
O que menos se compreendia era a condição primeira de toda atividade propagandista, a saber: a atitude fundamentalmente subjetiva e unilateral que a mesma deve assumir em relação ao objetivo visado. Neste terreno cometeram se erros tão grandes, logo no começo da guerra, que se tinha o direito de duvidar se tanta asneira podia ser atribuída só à pura ignorância.
Que se diria, por exemplo, de um cartaz anunciando um novo sabão e que, no entanto, aponta como bons outros sabões? A única coisa a fazer diante disso seria levantar os ombros, e passar.
O mesmo se dá em relação à propaganda política.
Foi um erro fundamental, nas discussões sobre a culpabilidade da guerra, admitir que a Alemanha não podia sozinha ser responsabilizada pelo desencadeamento dessa catástrofe. Deveria ter-se incessantemente atribuído a culpa ao adversário, mesmo que esse fato não tivesse correspondido exatamente à marcha dos acontecimentos, como na realidade era o caso. Qual, porém, foi a conseqüência dessa indecisão?
A grande massa de um povo não se compõe de diplomatas ou só de professores oficiais de Direito, mesmo de pessoas capazes de ajudar com acerto, e sim de criaturas propensas à dívida e às incertezas. Quando se verifica, em uma propaganda em causa própria, o menor indício de reconhecer um direito à parte oposta, cria-se imediatamente a dúvida quanto ao direito próprio. A massa não está em condições de distinguir onde acaba a injustiça estranha e onde começa a sua justiça própria. Ela, num caso como esse, torna-se indecisa e desconfiada, sobretudo quando o adversário não comete a mesma tolice, mas, ao contrário, lança toda e qualquer culpa sobre o inimigo. Nada mais natural, pois que, finalmente, o povo acabe acreditando mais na propaganda inimiga do que na própria, dada a uniformidade coerência desta. Esse efeito é, então, inevitável quando se trata de um povo como o alemão que já por si sofre de tão grande mania de objetivismo, e está sempre preocupado em evitar injustiças ao inimigo, mesmo ante o perigo do seu próprio aniquilamento.
A massa não chega a compreender que não é assim que se imaginam essas coisas nos postos de comando.
O povo, na sua grande maioria, é de índole feminina tão acentuada, que se deixa guiar, no seu modo de pensar e agir, menos pela reflexão do que pelo sentimento.
Esses sentimentos, porém, não são complicados mas simples e consistentes. Neles não há grandes diferenciações. São ou positivos ou negativos: amor ou ódio, justiça ou injustiça, verdade ou mentira. Nunca, porém, o meio termo.
Tudo isso foi compreendido, sobretudo pela propaganda inglesa e por ela aproveitado, de uma maneira verdadeiramente genial. Lá não havia indecisões que pudessem provocar dúvidas.
A prova do conhecimento que tinham os ingleses do primitivismo do sentimento da grande massa foi as divulgações das crueldades do nosso exército, campanha que se adaptava a esse estado de espírito do povo.
Essa tática serviu para assegurar, de maneira absoluta, a resistência no front, mesmo na ocasião das maiores derrotas. Além disso, persistiu-se na afirmação de que o inimigo alemão era o único culpado pelo rompimento de hostilidades. Foi essa mentira repetida e repisada constantemente, propositadamente, com o fito de influir na grande massa do povo, sempre propensa a extremos. O desideratumfoi atingido. Todos acreditaram nesse embuste.
O quanto foi eficiente essa maneira de fazer propaganda ficou patenteado claramente no fato de ter ela conseguido, após quatro anos, não só assegurar a resistência ao inimigo comocomeçar a influir nocivamente no modo de ver do nosso próprio povo.
Não é de espantar que à nossa propaganda estivesse reservado um tal insucesso. Ela trazia a semente da ineficácia na sua própria dubiedade. Além disso, era pouco provável, a julgar pelo seu conteúdo, que ela fosse capaz de causar o efeito necessário no seio da multidão anônima.
Só mesmo os nossos estadistas falhos de espírito poderiam imaginar que, com esse pacifismo anódino e cheirando a flor de laranja, se conseguisse despertar o entusiasmo de alguém ao ponto de arrastá-lo ao sacrifício até da vida. Foi, pois, inútil essa miserável tática e até mesmo perniciosa. Qualquer que seja o talento que se revele na direção de uma propaganda não se conseguirá sucesso, se não se levar em consideração sempre e intensamente um postulado fundamental. Ela tem de se contentar com pouco, porém, esse pouco terá de ser repetido constantemente. A persistência, nesse caso, é, como em muitos outros deste mundo, a primeira e mais importante condição para o êxito.
Em assuntos de propaganda, justamente, é que não se pode ser guiado por estetas, nempor blasés. Os primeiros dão, pela forma e pela expressão, um tal cunho à propaganda que, dentro em pouco, ela só tem poder de atração nos círculos literários; os segundos devem ser cuidadosamente evitados, pois a sua falta de sensibilidade faz com que procuremconstantemente novos atrativos. Essas criaturas de tudo se fartam com facilidade; o que eles desejam é variedade e são incapazes de uma compreensão das necessidades de seus concidadãos ainda não contaminados pelo seu pessimismo. Eles são sempre os primeiros críticos da propaganda, ou, melhor, de seu conteúdo, o qual lhes parece demasiado arcaico, demasiado batido, etc. Só querem novidades, só procuram variedade e tornam-se dessa maneira inimigos mortais de uma conquista eficiente das massas sob o ponto de vista político. Logo que uma propaganda, na sua organização e no seu conteúdo, começa a se dirigir pelas necessidades deles, perde toda a unidade e se dispersa inteiramente.
A propaganda, entretanto, não foi criada para fornecer a esses senhores blasés uma distração interessante e sim para convencer a massa. Esta, porém, necessita - sendo como é de difícil compreensão - de um determinado período de tempo, antes mesmo de estar disposta a tomar conhecimento de um fato, e, somente depois de repetidos milhares de vezes os mais simples conceitos, é que sua memória entrará em funcionamento.
Qualquer digressão que se faça não deve nunca modificar o sentido do fim visado pela propaganda, que deve acabar sempre afirmando a mesma coisa. O estribilho pode assim ser iluminado por vários lados, porém o fim de todos os raciocínios deve sempre visar o mesmo estribilho. Só assim a propaganda poderá agir de uma maneira uniforme e decisiva.
Só a linha mestra, que nunca deve ser abandonada, é capaz de, guardando a acentuação uniforme e coerente, fazer amadurecer o sucesso final. Só então poder-se-á, com espanto, constatar que formidáveis e quase incompreensíveis resultados tal persistência é capaz de produzir.
Todo anúncio, seja ele feito no terreno dos negócios ou da política, tem o seu sucesso assegurado na constância e continuidade de sua aplicação.
Também aqui foi modelar o exemplo da propaganda de guerra inimiga, restrita a poucos pontos de vista, exclusivamente destinada à massa e levada avante com tenacidade incansável.
Durante toda a guerra empregaram-se os princípios fundamentais reconhecidos certos, assim como as formas de execução, sem que se tivesse nunca tentado a menor modificação. No princípio essa tática parecia louca no atrevimento de suas afirmações. Tornou-se mais tarde desagradável, e finalmente acreditada. Quatro e meio anos após, estalou na Alemanha uma revolução cujo leit-motiv provinha da propaganda de guerra inimiga.
Na Inglaterra, entretanto, compreendeu-se mais uma coisa, a saber:
Essa arma espiritual só tem o seu sucesso garantido na aplicação às massas e esse sucesso cobre regiamente todas as despesas.
Lá, a propaganda valia como arma de primeira ordem, enquanto que entre nós era considerada o último ganha-pão dos políticos desocupados, e fornecia pequenas ocupações para heróis modestos.
O seu sucesso era, pois, de modo geral, igual a zero.


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